O dia se espatifa

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Das lições da vida

Tem víveres que nunca podem faltar na minha casa, mas tem coisas que eu só compro quando vou comer mesmo. Frutas, legumes e verduras, por exemplo. Depois de muita coisa podre jogada fora – comprando quilos e mais quilos em afãs naturebas –, aprendi a fazer isso.

Hoje, na fila para pesar os tomates, batatas e cebolas que estão na categoria que nunca podem faltar, fiquei esperando um bom tempo enquanto uma senhora acima do peso pesava sacos e mais sacos de todos os legumes e frutas disponíveis no Zaffari, tudo num carrinho cheio de verdes.

Como se tivesse me ouvido pensar "Ih, voltou da nutricionista há pouco", ela olhou para trás, meio que se desculpando, e disse:

– Estou começando uma dieta furiosa.

Pensei em alertá-la para o fato de que ela não ia conseguir consumir tudo aquilo antes que estragassem – been there, done that! –, mas não quis parecer estraga-prazeres. Deixa ela descobrir sozinha.

domingo, 9 de julho de 2006

Ufa

Com o fim da Copa e o último capítulo da Belíssima, acho que agora podemos falar em eleições de vez, né?

Fazer o quê? Eu curto eleições.

sábado, 8 de julho de 2006

Minha mãe, essa figuraça

Eu falo muito no meu pai por aqui. Porque ele foi importante, é importante e foi embora muito cedo. Isso não quer dizer que a minha mãe tenha menos importância, mas a verdade é que não falo muito nela, e às vezes me culpo um pouco por isso. Daí me dou conta de que é porque falo muito com ela e, de muitas maneiras, eu sou ela.

Hoje ela faz 59 anos. Às vésperas de se tornar uma sexagenária – palavrinha feia essa –, parece muito mais jovem do que eu e a Carolina – minha irmã (mais nova, mais alta, mais magra e loira, humpf) – juntas. Absolutamente antenada, só não perde muito tempo aprendendo coisas que não quer aprender – navegar na Internet, por exemplo. Dona de uma tolerância excessiva, não tem a menor paciência para o que não a interessa.

Duas vezes por semana fazemos yoga juntas e, preciso confessar, não canso de me espantar com a capacidade física dessa criatura de um metro e sessenta que caminha rápido o tempo todo e fala pelos cotovelos. Está sempre reclamando que tem muita coisa por fazer, mas cuida de tudo e de todos, como se tudo e todos fossem mais importante do que ela própria. Felizmente, está aprendendo a cuidar mais dela também.

Segundo os amigos (meus e da Carol), ela é "iluminada", "mãezona", "figuraça". Desde que consigo me lembrar, é com ela que as amigas conversam sobre coisas que não conseguem conversar com as próprias mães. É dela o "Bolo de Fanta" que se torna inesquecível à primeira mordida e dela a execução de pratos que o Márcio usa como parâmetro para os meus. "Está quase como o da tua mãe", diz ele, quando quer me elogiar.

Quando, aos 48 anos, perdeu o amor da vida dela – sim, aquele pai que volta e meia aparece citado aqui –, juro ter ficado com medo de ela não resistir. Mas ela agüentou firme e seguiu e segue por aqui, construindo uma história que, ano a ano, fica mais ampla, mais iluminada, mais colorida.

*

Este post não é um presente nem uma homenagem de aniversário. É, isto sim, um agradecimento e uma lembrança de que, se não falo mais sobre ela, é porque não precisa. Ela é maior do que isso.

Era ISSO o que eu queria dizer

Claro que preferia eu mesma ter escrito o que vem abaixo. Enquanto não aprendo, sigo agradecendo que exista alguém que traduza o que estou pensando com mais competência.
A vitória da falta de modos

Tutty Vasques

A raça humana – ô, raça! - anda carente de paradigmas. Está cada vez mais difícil, como se sabe, dizer quem é o cara seja na política, nas artes, no meio sindical, no mundo GLS, nas organizações não governamentais, na badalação fashion, no crime organizado, na imprensa... Pegando o futebol como exemplo da hora, a gente percebe a dificuldade dos especialistas no assunto para apontar o nome da Copa. Zinedine Zidane tem sido lembrado muito mais pelo desfecho digno que ele vem imprimindo à sua biografia do que exatamente pelo esplendor do momento que vive na Alemanha.

Falando português claro, paradigma é o escambau, o mundo anda é medíocre pra caraca! Nessas horas - o filósofo Joel Santana me corrija se eu estiver errado -, surge sempre a figura do administrador de mediocridade como solução. Se ninguém faz a menor idéia de como resolver o problema melhor chamar quem saiba dele tirar o melhor proveito. Não pretendia tocar nesse assunto – do contra já basta o Diogo Mainardi -, mas quando Pedro Bial evocou o poeta russo Vladimir Mayakovsky para definir Felipão (“Nele a anatomia ficou louca, ele é só coração”), concluí que valia a pena dar minha cara à tapa para dizer o que penso a respeito do técnico da seleção portuguesa: acho ele o fim do mundo.

Azar o meu! O mundo inteiro – aí incluída a raça em extinção de pessoas inteligentes - está absolutamente encantado com toda aquela grosseria, força bruta, falta de modos, dificuldade com as palavras para dizer o que pensa, desequilíbrio emocional, teimosia, agressividade gratuita, desespero em forma de oração, tudo isso reunido numa coreografia assustadora à beira do gramado. Veja só como Pedro Bial justifica o gajo:

“Racionalidade? Scolari faz questão de não ser apresentado a essa senhora. Reclamar é parte importante no repertório de Felipão. Durante todo o jogo, ele não fica sentado mais do que 5 segundos. Seus assistentes levam cotoveladas, ele soca o abrigo, xinga o bandeirinha. Fiel ao jeito Felipão de ser não vai embora sem dizer uns desaforos para o juiz. Não é grave, como dizem os franceses.”

Pas grave é o escambau. Meu amigo Bial, como de resto quase todo mundo, parece enfeitiçado a ponto de transformar o que bem poderia ser denúncia em elogio. Parece que quanto mais estourado, fora de si, descontrolado, possuído e careteiro, melhor. Temo que o exemplo extrapole o futebol e atinja a política, as artes, o meio sindical, o mundo GLS, as organizações não governamentais, a badalação fashion, o crime organizado a imprensa... Imagine um mundo só de felipões! Pra mim, parece um pesadelo pior que o sonho do hexa.

Se aqui no Brasil esse desejo de felipização do mundo é maior que no resto do planeta, a culpa é do Parreira – sempre ele! -, que se comportou como o avesso do Scolari na Copa do Mundo. Aquela coisa deprimida no banco de reservas, defendendo falsas idéias em inglês nas entrevistas coletivas, fez nascer a expectativa pelo extremo oposto. Depois dele, o país apostou todas as suas fichas na vitória da boçalidade – pronto, falei! -, como se não existissem alternativas inteligentes na droga do mundo.

Se bem que, quando penso em Vanderlei Luxemburgo, me dá uma saudade danada do Felipão, apesar do Murtosa. Você sabe o que é Murtosa? Se não o conhece, favor apagar esse parágrafo. Caso contrário, não me provoque: não direi jamais o que penso a respeito.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Para deixar registrado

  • Eu torci para o Brasil em 2002, não para o Felipão.
  • Eu torceria para Portugal hoje, mas não para o Felipão.
  • Não é a imprensa que vai me dizer para quem eu devo ou não torcer.
  • Se é pra ser desclassificado da Copa, que seja pelos campeões.
Allez les bleus!!!

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Apática sou eu, graças a Deus

Putz, que chato. Perdemos pra França. Mas a França jogou muito melhor. O Zidane jogou pra caramba. Foi justo. Enfim, sou apática, graças a Deus.

Não tenho nenhuma tese, não culpo ninguém e acho que essa raiva generalizada do Roberto Carlos (embora ele ter se abaixado na hora do gol realmente não tenha explicação), do Cafu (desde que ele dedicou a taça do Penta à Regina ele não me desce, mas, e daí?), do Parreira (que ajudou a trazer o Tetra em 1994, lembram?) e do Zagallo (que ajudou a trazer o Tri em 1970, lembram?) está passando da conta.

Hoje de manhã, ouvi no rádio que tinha cento e cinqüenta pessoas no Aeroporto Tom Jobim (o Galeão, lembra?) só para xingar o Parreira. Cento e cinqüenta. Três ônibus lotados. Ah, tenha santa paciência! Vão se tratar.

Ainda bem que a Copa acabou.

Desmoralizante

O meu post mais comentado dos últimos tempos consiste num emoticom com reticências.