O dia se espatifa: trabalho
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sábado, 25 de maio de 2013

Da arte de fechar as portas certas (um post-catarse)

Não é nem uma questão de guardar rancor, de pensar muito nisso. Eu realmente não penso, porque tudo perdeu a importância com o rumo que a minha vida tomou nos últimos 22 meses. É uma questão de não ter feito o que deveria ter sido feito desde o começo. Foi uma matéria banal sobre um assunto banal que detonou hoje em mim um processo de reavaliação de atitudes profissionais que tomei nos meus dois últimos anos dentro de uma empresa. No caso, dentro do Grupo RBS.

Esta matéria sobre demissões em massa e más condições de trabalho na Livraria Cultura me fez postar o seguinte no Facebook enquanto estava na fila do banco para pagar meu IPVA:
Se todo mundo que trabalha em empresas abusivas tiver coragem de se manifestar, talvez as empresas parem de jogar hipocritamente para a torcida e os funcionários que seguem lá dentro aprendam que é falta de civismo se submeter e jogar o jogo do contente dos patrões. Que é covardia, pura e simples.
Lendo esta matéria, fiquei com vergonha de mim mesma por me manter calada sobre tudo o que vi e vivi nos meus dois últimos anos na RBS, por medo de ficar com fama de recalcada ou "fechar portas". Só que ao estar sendo respeitada por todos meus clientes atuais, estou cada vez mais convencida de que algumas portas é melhor fechar mesmo. E daqui de fora.
Entre junho de 2010 e agosto de 2011, passei por situações surreais dentro daquela empresa cuja camiseta vesti por quase 15 anos, em três passagens por várias posições diferentes. Foi onde conheci o meu marido, foi onde cresci profissionalmente, onde fiz grandes amizades e aprendi muito com grandes colegas, chefes e conhecidos. Foi onde fiz parte de equipes que realizaram coisas bacanérrimas. Onde trabalhei com pessoas queridas que ainda estão lá dentro – ou não. É uma empresa pela qual inevitavelmente eu sempre terei carinho.

E eu fiquei com vergonha de mim mesma ao ler a matéria sobre a Cultura (em que alguns funcionários saíram atirando) porque mesmo depois das coisas que eu ouvi e a que fui submetida (ou me submeti?), eu saí na boa. Eu saí sorrindo. Eu saí agradecendo o aprendizado. E nada disso foi hipócrita da minha parte. Porque eu realmente fiquei feliz de sair e realmente agradeci o aprendizado – inclusive e principalmente o aprendizado proporcionado por esses quase dois anos de abuso e assédio moral que sofri. 

Não, ninguém gritou comigo. (Se alguém gritava era eu, com essa mania de me posicionar diante de injustiças.) Foi tudo muito gentil, muito civilizado. Foi tudo comme il faut. Mas foi um processo que fez com que eu me sentisse menos tudo. Menos inteligente, menos capaz, menos gentil, menos humana, menos sã. Eu voltei para a terapia. Eu tive crises de pânico. Eu achei que tinha feito tudo errado desde sempre ao defender o que eu acreditava. Eu cheguei, vejam só, a acreditar que queria uma carreira corporativa. Logo eu, de todas as pessoas...

Eu devia ter saído quando recebi um feedback que me doeu como uma punhalada:

"Um dos problemas, Cássia, é que tu não aprendeu ainda que gestor não pode trabalhar para os subordinados ou para os colegas. Gestor tem que trabalhar para a direção da empresa."

Na mesma reunião de feedback, fui criticada porque as pessoas da equipe a que eu pertencia viam a mim como líder, e não ao gestor que era o líder de direito. "Tu precisas transferir esta liderança." Como se isso fosse possível.

Mas eu não saí. Eu me acovardei. E eu (quase) me convenci de que a errada era eu. Porque havia tanta coisa bacana sendo feita por tanta gente bacana. A empresa era mais do que aquela pessoa que me disse isso. E olha que estas foram apenas duas das muitas frases absurdas que eu ouvi nesse período e que eu me ressinto de não ter gravado. Porque foram frases que me parecem mais e mais inverossímeis a cada vez que eu me lembro de cada uma delas. Se não tivessem sito ditas para mim, juro que não acreditaria.

Então veio a Lina, e tudo foi perdendo a importância. Foi como se com o resultado positivo do exame de gravidez todas as coisas que eu ouvi e vivi entre junho de 2010 e agosto de 2011 simplesmente desaparecessem. Minha vida ganhou "novos desafios" reais, e eles me fizeram rever o que realmente era importante para mim. Nos sete meses que me dediquei a cuidar da minha filha, eu vi que não sentia falta de nada da firma. Nada. Nem do trabalho de que eu tanto gostei durante tanto tempo. E as pessoas? Ora, as importantes continuariam (como continuam) fazendo parte da minha vida. Então, me preparei para sair. E marquei uma data. Eu sairia no dia 1º de janeiro de 2013. Mas tive sorte. Me saíram antes. A firma também não sentiu a minha falta.

Por que escrevo este imenso post agora? Porque eu precisava disso. A leveza que estou sentindo ao começar este parágrafo mostra que, mesmo que eu não estivesse pensando nisso tudo desde que soube da gravidez, estava tudo arquivado em alguma gaveta mental, que esta matéria sobre a Livraria Cultura que li na fila do Banrisul abriu. 

Sempre achei e continuo achando feio sair de um emprego batendo a porta. Mas não acho que seja isto que eu estou fazendo. Não é a porta da RBS que eu estou fechando, é a porta para esta face da RBS que eu conheci entre junho de 2010 e agosto de 2011 que eu não quero nunca mais abrir. Não enquanto a empresa tratar jornalista como profissional de segunda linha e defender (sim, eu também ouvi isso) que o negócio para a empresa sobreviver é "focar na comunicação e não mais no jornalismo", o que quer que isso queira dizer. 

Tem gente que fala em processo trabalhista por assédio moral. Não é o caso. Eu me sinto um pouco como aquela mulher que apanha do marido e se cala porque acha que merece apanhar. Sabe Deus por que, entre junho de 2010 e agosto de 2011 eu achava que merecia estar ouvindo o que ouvi, estar tendo de fazer o que estava sendo orientada a fazer. Eu me violentei muitas vezes, mas tudo passou. Quem sabe um dia não transformo tudo num livro, num roteiro, ou, sei lá, em mais posts de blog. Pelo menos vai ser divertido de escrever e, espero, de ler.

Eu não tenho mágoas. Juro. Acho ótimo que exista gente que consegue ser feliz com o tipo de vida que eu não consigo querer para mim. Acho normal que haja quem se sinta confortável fazendo o que eu abomino fazer. Faz parte do jogo. Não sei quem está certo ou errado. Só sei que eu e a RBS que eu deixei somos erradas uma para a outra. 

Luz e paz! :-)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dos planos de maternidade e dos planos depois da maternidade

Não consigo nem imaginar a cara que eu faria se alguém me dissesse, em 1992, quando eu estava entrando na faculdade, que dali a vinte anos (e só dali a vinte anos) eu teria uma filha e daria graças aos céus quando fosse desligada da empresa em que estava num cargo bacana, fazendo um trabalho de que eu gostava com gente querida e ganhando um belo salário no dia da volta da licença maternidade. Primeiro, porque eu sempre "soube" que seria mãe aos 28 anos (em 2002, portanto). Segundo, porque os planos desde a adolescência (porque nunca cogitei de não ser mãe) eram ser uma working mom moderna, daquelas que tem apenas duas horas por dia para dedicar ao filho, mas que as dedica ao máximo. Ponto.

Daí vieram os tais 28 anos, e a gente estava de mudança para São Paulo. E eu nunca que teria filhos em São Paulo. Aos 30, quando voltamos, retomamos o projeto. Mas, como as coisas nem sempre (ou quase nunca?) saem como planejamos, o filho não vinha nunca. E daí que nos oito anos seguintes a gente mudou de emprego, comprou casa nova, viajou, fez novos amigos, fez tratamento que não deu certo, trocou de médico, trocou de carro, viajou, fez mais novos amigos, fez mais tratamento que não deu certo, chorou, desistiu de ter filho, invejou amigos com filhos, sofreu a morte de um cachorro velhinho, adotou uma nova cachorrinha.

Aos 37 anos, depois de muita conversa e de conscientização de que viver sem filhos não seria o fim do mundo, afinal, decidimos que faríamos uma última tentativa. Eis que essa "última tentativa" está engatinhando aqui do meu lado, faceira, faceira, às vésperas de completar 11 meses. E eu estou escrevendo este post correndo, porque preciso retomar a revisão de um trabalho que preciso/quero entregar ainda hoje. Como, felizmente (hoje posso dizer isso), os planos de ser mãe aos 28 deram errado, tive a possibilidade de consolidar uma carreira de tradutora em paralelo à de jornalista, quase que por diletantismo. E a carreira paralela virou carreira principal. E todos estamos vivendo felizes para sempre até o próximo imprevisto.

Porque o maior aprendizado de tudo isso foi que planejar toma tempo demais da vida que a gente poderia estar vivendo. E que fazer o que não nos dá muita paixão apenas pela grana não vale a pena.

PS.: Decidi escrever este texto depois de ler um dos posts da blogagem coletiva proposta pelo blog Mamatraca, no SuperDuper. Fugi um pouco do tema, mas espero não ser eliminada por isso ;-)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Lista de resoluções

Tem gente que faz todo ano. Tem gente que faz todo aniversário. Eu faço toda vez que entrego uma tradução grande, que me deu mais trabalho do que eu havia imaginado - e eu sempre subestimo o trabalho (ou me superestimo, não sei bem). Sempre que clico enviar no e-mail para o editor, eu faço uma nova lista de resoluções. São resoluções de fim de tradução.

  • Vou ler o jornal todos os dias antes de começar a traduzir, porque senão eu não leio mais.
  • Vou traduzir todos os dias todas as páginas planejadas inicialmente para cumprir o prazo. 
  • Vou cumprir os prazos. Melhor, vou entregar os trabalhos ANTES dos prazos.
  • Vou entrar nas redes sociais só duas (três, vá lá) vezes por dia.
  • Vou parar de trabalhar às 18h em ponto.
  • Vou traduzir só em dias úteis.
Esta lista se repete - mentalmente - há anos. Na verdade, esta especificamente é uma estreia. Não apenas é a primeira que escrevo, mas, pela primeira vez desde 1999, não preciso me preocupar em onde encaixar a tradução na minha rotina de funcionária/jornalista. Algo me diz que, pela primeira vez, as resoluções estão muito, muito perto de serem todas cumpridas.

Boa sorte para mim!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Da energia no trabalho

Apesar de ser uma leitora eclética e sem preconceitos, não curto  qualquer tipo de autoajuda - inclusive autoajuda corporativa. Há alguns anos, porém, traduzi para a Record um livro chamado Zona de Alta Frequência. Lembro pouco do conteúdo do livro, mas o pouco de que lembro falava sobre como equipes que estão em sintonia e trabalham com alta energia rendem mais. Nos últimos dias, tenho lembrado bastante desta tese do autor.

Isso porque a equipe do que convencionamos chamar aqui na RBS de "Fábrica de Sites", a área em que trabalho e que é constituída de gente das mais diversas áreas de formação divididas em equipes de produto, arte e TI, tem trabalhado num ritmo dos mais animados. São dezenas de projetos pequenos, médios, grandes e imensos em andamento - em paralelo -, e o pessoal encara cada uma das atividades como se fosse a mais importante.

Hoje, às 10h17, lançamos o novo clicRBS. Eu já tinha trabalhado na criação da capa anterior, em maio de 2008, e, como da outra vez, estou me sentindo triiiiiifeliz.

Como disse na época, em dias assim, eu gosto muito do meu trabalho.

Para saber mais e opinar, acessa este link aqui :-)

sábado, 17 de abril de 2010

Segurando as raízes no lugar

A reportagem especial da Zero Hora de hoje fala sobre "o valor de quem fica no Sul". Daí lembrei que no ano passado eu tinha escrito um post argumentando justamente por que ficar em Porto Alegre. Relendo meu post oito meses depois, vi que sigo pensando da mesma maneira. E me dei conta de que ficar é mais do que um ato de acomodação e escolha pelo mais confortável. Ficar é um ato de perseverança, de vontade de evitar que o Rio Grande do Sul acabe repetindo o querido Uruguai - com mais gente morando fora do que lá.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Post com cara de tweet

Enquanto muita gente corre pra terminar 2009, outros tantos já estão com os dois pés fincados em 2010. E a gente aqui, no meio...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Momento autopromoção de mim mesma

Ainda não são livros meus, e nem sei se algum dia haverá algum livro meu, mas nesta feira tem dois lançamentos que são traduções minhas para a L&PM. O fofo Snoopy 9 - Pausa para a soneca, do Charles Schulz, e Os Crimes ABC, da Agatha Christie.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Leu até o final e gostou? Sugiro reler

Li o Cauda Longa, do Chris Anderson, em 2007, quando o meu querido amigo Sérgio Lüdtke era o mais entusiasmado defensor da ideia de que precisávamos entender o que o homem estava dizendo. E o livro foi fundamental para a minha compreensão desse universo maluco em que estou inserida desde 2000 pelo menos.



Agora, dando aula de Jornalismo Online na Unisinos e tendo feito dele a leitura obrigatória dos alunos, me senti na obrigação de reler. Foi uma experiência das mais interessantes. A passagem do tempo, as experiências do período e o novo olhar foram importantíssimos para que eu pudesse ter a percepção de duas coisas fundamentais (uma legal e outra deprê):





  1. A legal: a aposta na Cauda Longa é definitivamente um caminho sem volta. Aonde quer que se olhe.

  2. A deprê: na maioria das vezes em que alguém usa a Cauda Longa como argumento para algum projeto ou ideia, o uso é equivocado.


Reler, neste caso, foi melhor do que ler.

*



Post curtinho, praticamente um tweet, mas com bem mais do que 140 caracteres.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Lançando sites e praticando o desapego

Então que mais um site montado pela nossa superequipe de Produto em parceria com diversas áreas da empresa foi lançado hoje. E, mais uma vez, eu me vejo respirando fundo e praticando o desapego. Depois de publicado, como sempre, o filho não é mais nosso, é da redação que o assume.



Com vocês, o novo site da Rádio Gaúcha. Enjoy.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

You say you want an evolution

Então que desde ontem este humilde está sendo feito com WordPress. É o comecinho de uma migração que deverá melhorar bastante a vida dos blogueiros - e também dos internautas - do clicRBS e dos demais veículos online do Grupo RBS.

Como todo projeto em processo de implementação, está em fase de testes e correções de bugs, alguns pequenos, outros maiores. Por isso, contamos com a compreensão de todos. :-)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vonnegut póstumo

Acabo de receber um exemplar - superbonito, aliás - do livro póstumo do Kurt Vonnegut. Armagedom em retrospecto saiu pela L&PM, com tradução desta que vos escreve.

Eu já tinha falado dele em outras ocasiões.

O homem é mestre.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dois filhotes em uma semana

Trabalhar com internet é, acima de tudo, trabalhar com o impalpável. Muitas vezes, com o imprevisível. O que explica o estado de pânico em que fiquei quando, na madrugada do lançamento do zerohora.com, em setembro de 2007, descobri que estavam fazendo uma contagem regressiva na rádio Gaúcha para o "momento da virada". Ocorre que site nenhum, pelo menos não que eu lembre de ter visto, entre imediatamente e inteiro no ar. Tem toda uma história de servidores e webcaches e não sei mais quês que eu ainda não consigo explicar direito - o que justifica o fato de que não trabalhar na TI, suponho. E esse processo leva alguns minutos - às vezes horas - pra se completar.

Com o site da Zero acabou dando tudo certo, embora os editores - que então estreavam no mundo online - achassem que aquelas páginas que não carregavam 30 segundos depois de "virada a chave" fossem um erro, e não parte do processo natural da coisa. às vezes, porém, enfrentamos alguns perrengues. E não é só no clic não. Ou o estimado leitor nunca clicou num link quebrado ou deparou com uma página de "estamos em manutenção" em outro site ou portal?

Tudo isso pra dizer que eu estava aqui, acordada, só esperando o momento de dizer que já dava pra acessar o www.diariosm.com.br, o novo site do jornal Diário de Santa Maria. Ele e o www.sualingua.com.br, site do professor Claudio Moreno que entrou no ar ontem, são os mais novos filhotes do clicRBS. Infelizmente, eu não meto mais a mão na massa com a edição, mas o infelizmente é só porque eu acho divertido, já que ambos estão em excelentes mãos.

A verdade é que acho que estou começando a me acostumar com o trabalho da equipe que integro desde que saí da redação - lá se vão quase três anos: entregar os filhotes para outros criarem.