O dia se espatifa: ô cansaço
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domingo, 21 de outubro de 2007

Gente estúpida 2

Que até uma besta pouco informada como eu pode dizer que as artes plásticas contemporâneas estão repletas de picaretagem e imbecilidade é evidente. Agora... uma história como esta é de deixar qualquer um indignado.

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Update: Ainda tenho a esperança de se tratar de um hoax.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Gente estúpida

Algum cretino escreveu a seguinte mensagem no meu post sobre a morte do Floc:
Este amor canino geralmente nutre casais que não têm filhos. Sendo estes jovens, caso não se trate de problema médico, pode ser falta de amor e/ou de sexo, disfarçados de "opção". Neste caso, o cãozinho escapou de uma fria, pois o ambiente deve ser bem neurastênico.
É evidente que essa pessoa sã e cheia de amor e sexo e que pelo jeito sabe tudo sobre a minha vida não se identificou. É minha política de vida não desejar mal a ninguém, mas juro que desta vez quase rompi com essa prática. Quase. Ao contrário, espero que essa criatura encontre ao menos um ser que a ame incodicionalmente, como um bichinho é capaz de amar.

Ah, sim. O comentário já foi devidamente deletado. Porque neurastênicos como eu não costumam aceitar agressões gratuitas muito bem.

domingo, 16 de setembro de 2007

Blogs, blogs, blogs

Finalmente com um pouco de tempo de ler algo além do noticiário mínimo necessário do dia a dia, cheguei ao blog do Fernando Meirelles pelo da Renata Miloni.

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E toda vez que faço essas descobertas bacanas, fico com mais gana de esgoelar quem generaliza "os blogs" como sendo algo único com regras e padrões. Cada vez mais sem paciência para esses tipos de miopia.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Falou e disse

O artigo abaixo, que está na Folha de S. Paulo de hoje, é uma boa ilustração de por que eu não li um livro sequer do Paulo Coelho, provavelmente não lerei um livro do Paulo Coelho nesta encarnação, mas sou fã do Paulo Coelho.
O que é "contexto desfavorável"?

PAULO COELHO

Tenho uma grande admiração por Roberto Carlos - recentemente, um dos mais importantes programas da BBC Radio me perguntou a lista de cinco discos que eu levaria para uma ilha deserta, e incluí um dos seus. E, apesar dos problemas normais decorrentes de uma relação profissional, tenho um grande respeito pela editora Planeta, que publica minhas obras no Brasil e em vários países de língua espanhola.

Dito isso, é com grande tristeza que leio nos jornais que, na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os advogados do cantor Roberto Carlos e da editora Planeta fizeram um acordo que prevê a interrupção definitiva da produção e comercialização da biografia não-autorizada "Roberto Carlos em Detalhes", do jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo. O editor diz um disparate para salvar a honra, o cantor não diz nada e o autor fica proibido de dar declarações a respeito. E estamos conversados.
Estamos conversados? Não, não estamos, e tenho autoridade para dizer isso. Tenho autoridade porque, desde que publiquei meu primeiro livro, tenho sido sistematicamente atacado.

Creio que qualquer pessoa em seu juízo normal sabe que, a partir do momento em que sua carreira se torna pública, está exposta a ter sua vida esquadrinhada, suas fotos publicadas, seu trabalho louvado ou enxovalhado pelos críticos. Isso faz parte do jogo e vale para escritores, políticos, músicos, esportistas. Nem sempre essas críticas são justas e, muitas vezes, descambam para ataques pessoais.

Recentemente, um jornalista da mais importante revista brasileira disse que "Paulo Coelho não é apenas mais um mau escritor: seu obscurantismo é nocivo. Não se deve perdoá-lo pelo sucesso". Não sei o que estava propondo com essa frase, e não me interessa. Poderia alegar que minha honra está sendo atacada, que me acusa de ser um perigo para meu país, que deseja que eu seja preso. Mas vejo essas diatribes com outra ótica: elas fazem parte do jogo. A única coisa que não faz parte do jogo é a calúnia, e, pelo que me consta, isso não foi tema da ação judicial que levou à proibição de "Roberto Carlos em Detalhes".

Até hoje, desde que publiquei "O Diário de um Mago", há 20 anos, vi milhares de críticas negativas, mas apenas duas ou três calúnias a meu respeito, graças a Deus. Não me dei ao trabalho de contra-atacar porque não achei que valia a pena, embora me reserve esse direito se algo muito sério acontecer. Recentemente, em um jornal espanhol de primeiríssima linha, simplesmente inventaram uma resposta a uma pergunta a que havia me recusado responder. Claro, enviei uma carta ao diretor, e o jornalista teve que arcar com as conseqüências.

Estou pronto para defender minha honra, mas não vou perder um minuto do meu dia telefonando para um advogado e procurando saber o que faço para defender minha vida privada, já que ela não mais me pertence.

Diz o velho ditado: "Quem está no fogo é para se queimar". Eu acrescento: Quem está no fogo é para ajudar a fogueira a brilhar mais ainda. Não adianta o meu editor declarar que fez o acordo "porque o contexto era desfavorável". Ele precisa vir a público explicar qual é esse contexto -ou seja, se estamos falando de calúnia. Neste caso, tem meu apoio integral, pois calúnia é sinônimo de infâmia. Mas, caso contrário, está colaborando para que comece a se criar um sério precedente -a volta da censura.

Roberto Carlos tem muito mais anos na mídia do que eu; já devia ter se acostumado. Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da "invasão de privacidade" já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs.

Também continuarei sendo editado pela Planeta, pois temos contratos assinados. Mas insisto: gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de "contexto desfavorável".

Desfavorável é fazer acordo a portas fechadas, colocando em risco uma liberdade reconquistada com muito sacrifício depois de ter sido seqüestrada por anos a fio pela ditadura militar.

E não entendo por que você, Paulo Cesar Araújo, "se comprometeu a não fazer, em entrevistas, comentários sobre o conteúdo do livro no que diz respeito à vida pessoal do cantor" (Ilustrada, 28/4). Não é apenas o seu livro, cujo destino foi negociado entre quatro paredes, que está em jogo. É o destino de todos os escritores brasileiros neste momento.

Não sei se vou ter as explicações que pedi. Mas não podia ficar calado, porque isso que aconteceu na 20ª Vara Criminal da Barra Funda me diz respeito, já que desrespeita minha profissão de escritor.
O clipping foi cortesia do meu amigo Diego de Godoy, que não tem site nem blog, por isso não ganha link aqui. (Eu não leio a Folha.)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007