O dia se espatifa: querido diário
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domingo, 22 de dezembro de 2013

Enfim, meu "relato de parto"

Desde a gravidez, li a respeito e ouvi falar do "plano de parto" e do "relato de parto". Plano de parto eu nem pensei em fazer. Tendo levado tanto tempo para engravidar, achava um despautério imaginar que poderia planejar um parto. A única coisa que fiz foi encontrar uma obstetra que me disse que, sim, faria parto normal mesmo eu estando acima do peso, com 38 anos e tendo uma gravidez tão desejada. Sim, porque os três motivos foram suficientes para que três cesaris..., ops, ginecologistas, que com quem me consultei antes da querida Dra. Rosi Balbinotto declarassem peremptoriamente que com "essas condições" eu dificilmente conseguiria parir.

Abre parênteses. Eu havia ouvido falar en passant sobre "humanização de parto" e "partos domiciliares" e "doulas" e, não, eu não precisava de nada disso. Só que tenho medo-pânico de qualquer cirurgia, e a ideia de abrirem a minha barriga comigo acordada, com meu marido do lado, cortarem sabe-se lá quantas camadas de tecido pra chegarem à minha filha (e se cortassem ela????) me apavorava. Então, quando me dizem que eu fui "corajosa" por ter querido (e conseguido) parto normal (ainda que com analgesia), eu rio internamente e lembro que foi tudo por medo mesmo. Fecha parênteses.

Já o relato de parto eu comecei a querer fazer depois de entrar para o maravilhoso mundo da "maternagem" e todos os seus jargões e todas as suas panelas e personagens. Tem as que defendem amamentação ad eternum, e as que defendem mamadeira desde a maternidade. As que fazem enxoval TODO em Miami e as que usam fraldas de pano e só roupas doadas. Tem as que acham que a forma como a criança nasce define um monte de coisas na vida dela (e da mãe dela) e as que dizem que "sentir dor é para índia", explicando por que marcaram a cesárea para a 38ª semana de gravidez. Enfim, foi "convivendo" virtualmente com as que pensam e militam em torno da forma do nascimento que descobri a figura do relato do parto.

Desde que a Lina nasceu, li vários relatos de partos, muitos deles extremamente emocionantes, de mulheres que lutaram muito e conseguiram (ou não) parir o filho. Desde que me dei conta da existência desse mundo e dessa linguagem (descobri, por exemplo, que a cesárea não é considerada parto, mas cirurgia, e que TP significa "trabalho de parto"), venho ensaiando meu relato de parto. Nunca escrevi o meu, formalmente. Daí ontem, quando uma colega/amiga comentou sobre a ansiedade que está tomando conta dela em suas últimas semanas de gravidez, lembrei disso. E lembrei que escrevi, sim, uma espécie de relato de parto. Fui atrás e encontrei o texto que reproduzo abaixo e que foi feito do dia em que a Lina completou seis meses.

LINDA DE VERDADE
Há exatos seis meses, mais ou menos neste horário, eu estava sentada na frente deste mesmo computador escrevendo um e-mail para convidar o pessoal do trabalho para um almoço de despedida. Era quarta-feira, e sexta seria meu último dia de trabalho antes da licença-maternidade. Resolvi sair duas semanas antes da data prevista para o parto para acertar detalhes. Tinha que preparar as lembrancinhas e rearrumar as malas da maternidade - a minha e a da Lina.
No dia anterior, tinha ido à médica, que me tranquilizou. Eu estava com um centímetro de dilatação, a Lina estava posicionada, mas não encaixada. Estava pronta para nascer, mas aparentemente ainda ficaria umas duas semanas lá dentro, ganhando peso. De qualquer maneira, se eu tivesse alguma contração com dor, não precisava me assustar. Eu poderia ficar alguns dias sentindo contrações com dor.
Perto da meia-noite, enviei o e-mail com o convite para o almoço de quinta-feira e dei uma última olhada no Facebook e na caixa de e-mail. Na noite da quinta, comeríamos uma paella feita pelo Mário de SantiSanti, na casa dele e da Dilza de Santi. Perspectiva gastronômica mais do que animadora. Levantei da cadeira e... Opa! 
- Olha, Márcio, a minha primeira contração com dor!
Márcio de olhos arregalados:
- Tá, e o que isso quer dizer?
- Que tá chegando perto da Lina nascer.
Olhos mais arregalados:
- Mas já???
- Não, essas dores podem durar mais umas duas semanas.
Olhei o relógio. Era 0h05. Fui tomar uma ducha antes de dormir, porque apesar de ser 12 de abril, fazia calor. Entrei no box e comecei a rir.
- Márcio, olha isto aqui.
Olhos voltando a arregalar:
- O quê? Tu fez xixi?
- Acho que estourou a bolsa.
Liguei para a médica, que mandou ir para o Moinhos de Vento, entrei no banho, comecei a sentir mais contrações, saí do banho sentindo contrações, botei o primeiro vestido que apareceu na frente (o mesmo que tinha usado no chá de fralda), calcei o par de havaianas que ganhei do amigo secreto de natal da firma (que não combinava com o vestido), penteei os cabelos molhados, sentindo contrações, apressei o Márcio, dei tchau pro Bubi e a Farofa (perplexos) e entrei no carro. 
- Não vamos levar as malas?
- Não precisa. Parto demora. Amanhã a mãe leva para a gente.
(Não quis explicar que tinha tirado tudo de dentro das malas para arrumar melhor naquele fim de semana.)
Fizemos o trajeto Zona Sul > Moinhos num quase silêncio nervoso, emocionado, tenso, alegre. Com a falta de movimento, levamos 18 minutos, com as contrações ficando cada vez mais próximas e cada vez mais intensas. (Esse negócio não tinha de ser mais lento, não?) Passamos pela rua do Mário e da Dilza e eu me dou conta:
- Acho que não vamos comer paella amanhã...
Era 1h10 quando chegamos à recepção da maternidade. Às 3h26, a Lina nasceu. O Márcio esqueceu que não queria ver parto nem de trás de uma cortina e acompanhou do meu lado todo o parto normal. Com a nossa menina no meu colo, os dois gritamos:
- Ela é linda! É linda de verdade! 
(Sempre dizíamos que a acharíamos linda mesmo que fosse feiinha, mas ela tinha nascido linda. Linda de verdade.) 
Na sala de recuperação, com a Lina adormecida no colo do Márcio envolta em cueiros do hospital (a mala não tinha ido, lembra?), atendemos à ligação da pobre da minha mãe e da Carolina que tinham se abalado do Moinhos ao Jardim Isabel para pegar as malas (que precisavam ser refeitas, lembra?). 
***
Há exatos seis meses, nossa vida mudou completamente. A Lina estreou na nossa vida, e a cada instante fica mais linda, mais querida, mais importante. A cada instante, comemoramos mais um instante de vida e de alegria e de aprendizado. Se datas redondas - ou quase, como esta - servem para fazermos balanços, uso a de hoje para reafirmar a certeza de que toda a nossa espera (foram oito anos) valeu a pena. Eu poderia escrever um texto deste tamanho sobre cada dia, mas os sorrisos que ela dá e os que provoca na gente são muito mais eloquentes.
Felizes seis meses de vida, minha Lina. Obrigada por estar aqui. A mamãe te ama mais do que absolutamente tudo nesta vida. 
Porto Alegre, 12 de outubro de 2012. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Caindo, levantando e seguindo em frente... :-)

Vejo muita gente reclamando que 2013 não foi um ano bom, torcendo para que acabe logo. Como todos os outros anos, 2013 teve coisas boas e ruins, tristezas e alegrias, surgimento e fortalecimento de amizades e desencantos, cansaço e ânimo.

Para nós, 2013 foi o ano em que a maior alegria da nossa existência deu os primeiros passos, aprendeu as primeiras palavras e demonstrou incansavelmente que não importa quantos tombos levemos, podemos e devemos sempre levantar e seguir em frente. Sempre sorrindo (mesmo depois de chorar um pouco, pedindo colo).

Um beijo enorme para os amigos e amigos de amigos e até para quem não é amigo de ninguém, que todo mundo merece um pouco de carinho 
 



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

10 anos esta noite: uma década de espatifaria

Lembrei por acaso neste fim de semana: em dezembro faz dez anos que tenho o blog. Fui conferir, e fez dez anos há pouco mais de meia hora. O primeiro post, do primeiro blog, foi este aqui. Eu conto a historinha resumida ali na direita, abaixo da caixinha do Facebook.

Aliás, nos primeiros anos, eu postava horrores. Durante muito tempo, o blog foi meu Twitter e meu Facebook. Não por acaso, o ritmo de posts caiu vertiginosamente com o surgimento dos dois.

A seguir, algumas curiosidades que talvez não interessem nem aos meus queridos (e infiéis) 17 leitores, mas, azar, o blog é meu, e eu falo aqui o que bem entender:
  • O motivo pelo qual o terceiro post (que não tem simpatia nenhuma) faz tanto sucesso são as buscas do Google! As cinco pesquisas que mais trazem as pessoas para cá, desde que voltei para este endereço, no ano passado, são: 
    • cassia
    • amiga de infância
    • simpatias para jenro (sic) gostar de sogra
    • origem do nome montevideo
    • bufê
Em dois meses faço 40 anos. Parece estranho uma quarentona fazendo um blog com ar aborrescente reclamão, né? Enfim. Tenho pena de acabar com ele. Seria como acabar com parte de mim.

Entonces, sigamos espatifando – ainda que eventualmente –, por muitas e muitas décadas :-) 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Mudança de rumos

Há alguns dias, dois amigos comentaram comigo como sou má em meus comentários nas redes sociais. Hoje, uma deles viu tristeza nos meus olhos. Aquela grande ficha acertou a minha testa e deixou muito claro: as duas coisas evidentemente estão relacionadas.

Com licença, então, para a imprescindível mudança de rumo. Quem tem a filha e a família e o trabalho que eu tenho, não tem direito de ser má ou triste.

♡

sábado, 19 de outubro de 2013

E se?

Não são poucas as coisas que nos fazem pensar "e se?". Reencontrar pessoas que não víamos havia muito é uma delas. Completar datas redondas, outra. Deparar com objetos, textos, fotos de tempos passados, em que éramos outra versão de nós mesmos, ainda outra. Ver uma pessoa querida passar por uma situação difícil por que já passamos, também. Nas últimas semanas, tive todos esses gatilhos sendo disparados ao meu redor. Como resultado, passei alguns dias sendo assombrada por vários "e ses" que me surgiam de repente, antes de acordar, antes de dormir, ao ouvir uma música, na hora do banho, almoçando, dirigindo...

E se meu pai não tivesse morrido três dias depois de eu completar 22 anos?

E se eu tivesse feito Letras em vez de Jornalismo?

E se eu tivesse sido mais pragmática em relação à minha carreira corporativa?

E se eu não tivesse aceitado continuar com o Márcio depois dele pegar o primeiro cachorro das nossas vidas?

E se eu tivesse tido coragem de me despedir do meu pai quando soube que ele estava morrendo?

E se a gente não tivesse voltado de São Paulo em 1990?

E se eu não tivesse pedido demissão da TV, do Jornal, do Terra...?

E se eu não tivesse vendido meu carro em 2001?

E se eu tivesse feito uma dieta de verdade logo depois de engordar 12 quilos em 2000?

E se eu tivesse deixado os cabelos crescer e pintado de loiro?

E se a gente não tivesse voltado de São Paulo em 2003?

Essa porção de questionamentos estava me incomodando, me dando um aperto no peito, me deixando aflita. E eu não estava sequer conseguindo identificar por quê. Ontem à noite, tudo se esclareceu. Ao ver minha filha brincando feliz na casa de um velho amigo, percebi que as respostas para essas dúvidas não têm mais importância alguma. O que vale foi o que aconteceu. E o que está por acontecer. Com todos os "e ses" que ainda surgirão e ficarão pelo caminho.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Como eu estava há cinco anos?

Dentre as perguntas cretinas que pessoas fazem em seleções para emprego, uma das minhas preferidas é "onde/como você se imagina daqui a cinco anos?" Sinceramente, a não ser que a criatura esteja contratando um vidente, a resposta não vai ajudar em nada o processo. Porque exceto no caso de obsessivos que planejam TODA a vida (e deste tipo de gente eu prefiro distância), o resto vai inventar alguma coisa bacana para impressionar e era isso.

Daí que hoje eu fiquei curiosidade sobre como/onde eu estava há cinco anos. Com o blog sendo feito há quase 10 anos num formato bem "querido diário", não ficou difícil. Encontrei então este post aqui, que reproduzo abaixo com comentários de hoje em verde:

Por um 2008 supimpa
Sei que o ano ainda não terminou, mas estou indo para a praia hoje à noite, e não sei como será a conexão por lá – ainda não comprei minha placa 3G (sentiram o drama da "placa" 3G? hoje eu saí de uma revenda Vivo com um chip pré-pago pra um modem 3G que de 3G não tem nada, mas mesmo assim a coisa evoluiu...). Portanto, deixo aqui a minha listinha de resoluções. A de 2007 não foi exatamente um sucesso retumbante, mas o ano teve várias surpresas boas, e o saldo acaba como imensamente positivo. Vamos aos planos para 2008:
- Falar menos e ouvir mais (Sigo tentando, sigo tentando... mas acho que estamos em franca evolução. Até porque com a maternidade e trabalhando como tradutora tenho MUITO mais coisas a aprender do que sobre palpitar.)
- Seguir trabalhando em favor da preguiça (Isto é uma determinação para o resto da vida.)
- Seguir tentando ser menos implicante (Eu juro que me esforço, mas o mundo não ajuda...)
- Comprar um carro (Feito! Só tô pagando ainda... ;-))
- Conhecer Brasília (Feito! Agora quero voltar com a Lina.)
- Visitar a Carol na Califórnia (Feito! Agora quero voltar com a Lina e o Márcio, mas para visitar a Ana em LA.)
- Manter uma rotina na academia (HAHAHAHAHAHA. Sério? Por que eu escrevi isto?)
- Dar um jeito de voltar a fazer ioga (Ainda quero. Ainda voltarei. Em 2008 não rolou.)
- Aprender mais (E mais e mais e mais...)
Boa sorte para mim! E um 2008 supimpa para todos vocês ;-)
Pensando agora se vou fazer lista para 2013. Acho que não. Vou seguir seguindo, que tá bom demais. Boa entrada de ano para todos vocês! ;-)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O fim do mundo como o conhecíamos

Para mim e para o Márcio Pinheiro, o mundo como existia até então acabou em 12 de abril passado, quando o nosso maior presente entrou na nossa vida.

E a gente aproveita então este zunzunzum de fim de mundo para desejar de coração tudo de bom para todo mundo que merece - e para quem não merece também, porque somos pessoas queridas ;-)


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quem precisa de mais uma mãe blogueira?

Uma querida amiga minha, mãe de uma linda guriazinha pouco mais velha do que a Lina, revelou esta semana que está pensando em fazer um blog sobre a maternidade. Jornalista e tradutora como eu, ela pensa, como eu, que pode ser bacana ter um espaço onde dividir nossas impressões e sentimentos. Não sei se as dúvidas dela são as mesmas minhas, mas, já que eu já tenho este espaço aqui, peço carona no assunto trazido à baila por ela para dividir as minhas primeiras considerações com meus supostos dezessete leitores.

1 - Alguém precisa de mais uma mãe blogueira?
2 - O que eu posso dizer sobre a maternidade que já não tenha sido dito milhares de vezes?

3 - Alguma coisa que eu possa dizer sobre a minha experiência pode vir a ajudar alguém?

4 - Será que as coisas que eu escrever não podem vir a se transformar no futuro em motivo de vergonha para a minha Lina adolescente?

5 - Tenho eu direito de expor minha pitoca, por menos leitores que possa ter este ou qualquer outro blog que eu venha a fazer?


São questões básicas, básicas, mas que, acreditem, têm tomado parte do tempo que passa tão rapidamente nesta minha licença que se aproxima do fim.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Lina dorme

Meu último post aqui foi feito pouco menos de um mês antes da minha filha nascer. Em seis dias, ela completará três meses. Há quase três meses, portanto, minha vida tem sido repleta de acontecimentos importantes como a Lina mamou, a Lina arrotou, a Lina está com cólica, a Lina sorriu, a Lina está com a avó enquanto eu corro até o súper, a Lina fez cocô, a Lina mamou, a Lina engordou, a Lina sorriu de novo, a Lina fez mais cocô. Agora, neste instante, a Lina dorme. E eu, afinal, consigo fazer algo que achava que nunca mais conseguiria fazer: escrevo um post.

Somados os últimos aos meses da gravidez, devo ter lido bilhões de caracteres sobre gerar, parir e criar um filho. Livros, revistas, jornais, blogs, artigos médicos... a Lina está respirando pesado? Lá vou eu para o Dr. Google: bebê respiração pesada. A Lina dormiu seis horas seguidas? Dr. Google: sono bebê dois meses. Com isso, acabo caindo em cada coisa... Como é que essas mães acham tempo para escrever tanta coisa? Tem gente que faz pesquisas imensas e publica posts incríveis com muita informação de qualidade. A maioria, porém... deuzolivre. Muitas agem como se fossem as primeiras mães do mundo moderno. Como se gerar, parir e criar um filho fosse a maior novidade do universo. E é preciso dizer que, felizmente, não é.

A Lina dorme e acabo de finalizar o segundo parágrafo deste post sem dizer nada. É que, entendam, não tenho o que dizer que possa interessar a alguém que não a mim e aos mais próximos. Ao menos não agora. A Lina dorme e daqui a pouco vai acordar para mamar e depois vai dormir de novo (depois de eu trocar a fralda cheia de xixi). Parece um tédio olhando daí? Pois eu posso garantir que está sendo a minha maior aventura.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Da gravidez e dos pontos de vista


  • Às 33 semanas de gravidez, ainda falta tempo demais para ver o rostinho da minha filha

  • Às 33 semanas de gravidez, falta muito pouco tempo para deixar tudo pronto para a chegada da minha filha



  • Seis meses de licença-maternidade emendados com mais um de férias longe do trabalho e da convivência com os colegas me parece tanto tempo

  • Seis meses de licença-maternidade emendados com mais um de férias me dedicando exclusivamente à minha filha me parece tão pouco tempo



  • Quando entro em lojas de bebês ou coisas parecidas, tenho vontade de comprar tudo

  • Quando entro em lojas de bebês ou coisas parecidas, não consigo ver por que deveria comprar qualquer daquelas coisas



  • Toda vez que me vejo refletida num espelho caminhando feito pata-choca (a esta altura, praticamente uma avestruz-choca), penso que vai ser bom estar sem este peso extra todo daqui a uns meses

  • Toda vez que me vejo refletida num espelho caminhando feito pata-choca (a esta altura, praticamente uma avestruz-choca), penso que vai fazer falta toda a paparicação dedicada às grávidas ;-)


É assim mesmo, ou só eu que sou maluca?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Novos significados

Quando era adolescente,  não gostava de vestir de novo uma roupa que houvesse vestido numa ocasião desagradável – normalmente relacionada a algum namorico mal resolvido. Era como se alguma energia ruim tomasse conta daquela inocente peça de tecido e então a tornasse amaldiçoada, fadada a sempre atrair situações indesejadas. Eu devia ter uns 16 anos quando a minha mãe, essa sábia senhora que percebeu que eu abandonava roupas de que gostava tanto, me disse que não era assim que as coisas funcionavam. Que se algum dia uma peça de roupa tivesse me acompanhado num momento de azar, eu deveria vesti-la novamente justamente para reenergizá-la com algo melhor.  Desde então, nunca mais tive esse tipo de superstição. Até porque depois que eu mesma comecei a pagar pelas minhas peças de vestuário, deixar de usar alguma coisa por conta de uma bobagem dessas virou algo evidentemente indefensável.

Dia 20 de dezembro era um dia assim. Desde 20 de dezembro de 1995, quando soubemos que meu pai estava com um câncer de estômago avançadíssimo e sem qualquer esperança de cura, a data tomou contornos sombrios na minha história de vida. Nos últimos 15 dias 19 de dezembro, sentia, ao dormir, um aperto no estômago, fazendo com que eu voltasse a sentir um pouco daquela sensação de desamparo absoluto.

Hoje, porém, esse significado foi sobrepujado por outro. Em vez de desamparo, esperança. No lugar das lágrimas incontidas de tristeza, lágrimas silenciosas da mais pura alegria. Descobri que meu pai vai ter uma netinha. O bebê que está dentro da minha barriga é uma menina, e a descoberta disso justamente nesse dia veio, principalmente, para comprovar a tese da minha mãe: nada como expor um dia velho a novas energias para mudar o nosso olhar sobre ele.

Que venham todos os outros dias 20 de dezembro da minha vida.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Das alegrias – uma lista (Parte 1)

Muita gente diz que não se sabe o que é felicidade ou amor antes de se ter um filho. Sempre achei a observação meio deprimente, principalmente porque conheço muita gente feliz e cheia de amor que não teve filhos (porque não quis ou não conseguiu ter) e muita gente infeliz e solitária apesar (ou até por causa) dos filhos.

O bebê que estou esperando é motivo de uma das maiores alegrias da minha vida. Foi desejado, esperado, planejado e sonhado. Porém, principalmente porque não quero que o peso da minha felicidade (e da felicidade da minha família) fique sobre ombros tão pequenininhos que ainda estão em formação, decidi começar uma lista (que certamente não se encerrará neste post) para dividir comigo mesma, com meus poucos – e valorosos – leitores  e também com esta criança já tão querida, parte das tantas alegrias que acumulei nos 37 anos de vida sobre este planeta, antes mesmo da chegada dela.

Tenho certeza de que a lista seguirá crescendo – e certamente ganhará novos focos depois da maternidade. O que vem abaixo não está organizado nem por ordem de importância, nem por relevância. Vão desde imensas até minúsculas alegrias. Creio que posso chamá-la também de "grande lista de pequenas conquistas". Parte 1, claro.

  • Sou amiga do meu marido, da minha mãe e da minha irmã

  • Fui uma grande amiga do meu pai

  • Minha letra cursiva é muito bonita quando escrevo com calma

  • Assisti a mais filmes durante a infância e a adolescência do que muita gente que conheço

  • Minha mãe me ensinou a ler aos 3 anos com o Pé de Pilão de Mario Quintana

  • Sei a letra completa de todas as minhas músicas preferidas dos Beatles e do Chico Buarque

  • Aprendi inglês tirando de ouvido as letras das canções dos Beatles e vendo a filmes na TV com a legenda tapada por um papel com fita durex

  • Quando vou ao Rio de Janeiro, não me sinto culpada por não ir a nenhum ponto turístico

  • Ainda mantenho grandes e queridas amigas que ganhei na infância, na adolescência, na faculdade e na vida adulta

  • Traduzi três livros do Kurt Vonnegut

  • Entrevistei o Brizola antes dele ficar gagá

  • Entrevistei o Lula mais de uma vez (antes de ele ser presidente)

  • Posso dizer que sou amiga de jornalistas do peso do Sérgio Augusto, da Maria Lúcia Rangel e da Ana Maria Bahiana – e continuo sendo fã deles

  • Aprendi a fazer panquecas iguais às da minha mãe!

  • Quando fui a Paris, consegui me comunicar bem em francês

  • Um dia uma americana me perguntou de que parte dos EUA eu era porque não estava reconhecendo meu sotaque

  • Em 2007, passei numa seleção para uma vaga no YouTube/Google. Não aceitei porque não queria morar em São Paulo (a vaga para a qual comecei a seleção não seria em São Paulo)

  • Em 2003, tive coragem de admitir a mim mesma que não havia nascido para morar em São Paulo e que isso não era motivo de vergonha

  • Tenho prazer de conviver com meus colegas de trabalho e de fazer o que preciso fazer

  • Quando saio de férias, consigo me desligar do trabalho

  • Saber que sou substituível não me atormenta, mas, pelo contrário, me estimula a querer ser desejável

  • Aprendi que injustiças nos ajudam a crescer e melhorar

  • Consigo tocar nos pés com as pernas esticadas

  • Digito muito, muito rapidamente

  • Não consigo dormir sem ler ao menos uma página de um livro

  • Muita gente que indiquei a vagas de empregos se deram muito bem com as minhas indicações

  • Tive chefes ótimos, razoáveis, medíocres e abaixo da média. Aprendi com todos

  • Tenho ex-chefes que me tratam com carinho até hoje

  • Sou ex-chefe de pessoas especiais que me tratam com carinho até hoje

  • Acompanhei minha mãe no processo da cura de um câncer

  • Tive o prazer de estar à mesma mesa de pessoas como Carlos Lyra, Luis Fernando Verissimo e Fernando Morais. Eles certamente não sabem quem eu sou, mas e daí?

  • No colégio, era quase sempre uma das primeiras a ser escolhidas para os times das aulas de Educação Física

  • Um dia me disseram que quando criança eu devia ser igual à Mafalda

  • O poder alheio não me intimida

  • Uma eventual incapacidade minha de lidar com meu próprio poder – por menor que seja – me apavora

  • Plantei pelo menos uma árvore no meu jardim

  • Ainda não escrevi um livro, mas traduzi mais de 30

  • Já faz mais de 5 anos que eu mesma asso o peru do Natal da família

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O jovem avô que vou ter de ensinar ao meu bebê

Uma das pessoas que mais admirei na infância – e mais senti não ter conhecido – foi o meu avô materno, o "vô Fritz". Sempre olhei com uma certa inveja para os primos que tiveram o privilégio da sua convivência. Foi por meio deles - e dos meus pais, principalmente - que fiquei sabendo um tantão de alguém que foi tão marcante para quem o conheceu.

Infelizmente, vai ser assim também que o/a meu/minha filho/a vai conhecer o homem mais importante da minha vida até eu conhecer o Márcio. Seu Jurandir Antonio Zanon ficou pouco tempo conosco (48 anos no total, 22 como meu pai), mas deixou um legado que me acompanha até hoje.

Meu pai foi um homem interessado pelo mundo, por história, pelo comportamento humano. Foi o meu Google particular durante muito tempo. Foi quem me ensinou a ler, a gostar de cinema, a questionar o porquê de tudo, a buscar meu espaço sem invadir o espaço dos outros.

Sempre bem humorado, com um senso de humor ao mesmo tempo sofisticado e palhaço, deixou como maiores ensinamentos que não é preciso ser sisudo para ser sério e que a sinceridade e a honestidade são o melhor caminho para conseguirmos o que queremos. Mesmo que esse caminho por vezes acabe se mostrando mais longo.

Hoje, no dia em que ele completaria 64 anos - e que eu completo 19 semanas de gravidez -, minha tia Rita , a irmã caçula que ele via como uma espécie de filha mais velha, fez uma homenagem a ele no Facebook, postando uma música de que ele gostava muito. E cuja letra, percebi hoje, diz muito sobre o homem que ele foi.

Saudade, pai. Que pena que não estejas aqui neste momento tão feliz das nossas vidas.





quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Da relação entre o volume de posts e a movimentação da vida

Desde que criei meu primeiro blog em dezembro de 2003, passando pela adoção do Twitter e do Facebook, venho tentando compreender a relação existente - se é que existe - entre o volume de posts que publico/cometo e a movimentação da minha vida. A conclusão é que não consigo chegar a conclusão sobre o assunto.

Houve períodos de muito, muito trabalho em que eu postei ensandecidamente no twitter e no blog, como se quanto maior fosse a minha produtividade profissional, mais intensa se tornava a minha capacidade de escrever rapidamente sobre qualquer assunto. (Ah, sim, este tanto é fácil de confirmar: nunca um post me toma mais do que 15 minutos, por mais longo que seja. Faço um blog pessoal e sem pretensão, não jornalismo.)

Em contrapartida, há momentos da vida como os das últimas cinco semanas em que muita, muita, muita coisa acontece, e eu fico muda. Mas não é o excesso de coisas que me paralisa ou me impede de me manifestar no blog ou nas redes sociais - eu não acredito que a troca de informações em twitter e facebook seja coisa de desocupados -, é um je ne sais quoi que, imaginava, a tal relação iria explicar.

O fato hoje é que me dei conta de que faz mais de um mês e meio que não escrevo aqui. Agosto passou incólume - e, acreditem, poucos meses da minha vida foram tão relevantes para todos os aspectos da minha vida quanto o mês de agosto de 2011. Não que vá fazer alguma diferença na vida dos meus queridos 17 leitores, mas prometo voltar logo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

De como a NET estragou a consumidora que há em mim

Sabe aquelas pessoas que são "estragadas" para relacionamentos por uma desilusão amorosa? Não, não é o meu caso. Comigo, isto aconteceu com a NET.

Desde o final de abril, estou fazendo um curso de pós-graduação na PUC. Símbolo da minha rendição ao mundo corporativo: Gestão Estratégica e Inteligência Competitiva. Mas não é sobre isto que vamos discorrer neste momento.

No começo do mês, fui pagar a mensalidade. Quando me matriculei, soube que a partir da segunda parcela teria desconto de 10%  por ser ex-aluna da universidade. Duas semanas antes da data de vencimento, comecei a me informar sobre o que deveria ser feito para obter tal desconto e fiz tudo direitinho: pedi cartão de diplomado, apresentei cartão no setor financeiro, levei papel na secretaria do curso. É aí, afinal, que começa a história.

Sorridente e confiante de ter feito tudo certo, chego à secretaria.

– Oi! Tudo bem? Aqui está o papel para ter o desconto de ex-aluna na mensalidade.

O moço da secretaria examina os papéis e começa:

– Está tudo certo, mas não dá mais tempo de dar o desconto este mês...

– Não. Tu não está entendendo. Eu fiz tudo direitinho, como mandaram. O desconto vai sair este mês, sim.

– Pois é, mas não temos mais tempo de enviar ao financeiro...

– Olha só, na verdade vai ter que dar tempo. Porque eu fiz exatamente como me mandaram. Não é justo que eu perca o desconto sendo que fiz exatamente o que me mandaram.

O moço dá um sorriso benevolente – que me deixa um pouco irritada – e recomeça:

– Sim, entendo. Só que...

Orgulhosa por não ter alterado a voz e me mantido educada, interrompo mais uma vez.

– Ai, por favor, não vamos entrar numa discussão desnecessária. Eu sou muito chata, principalmente quando faço as coisas direitinho. A NET sabe muito bem disso. Então, eu não pretendo sair daqui antes de garantir o meu desconto.

Mais um sorriso benevolente e gentil – que me deixa um pouco mais irritada:

– Então, moça, é que o desconto deste mês não vai poder ser dado agora, mas...

(Sinto o rosto corar de vergonha antecipada)

– Ai... tu vai me dizer que o desconto vem no próximo boleto?

– Sim.

– Mas por que tu não me disse antes?

– É que tu não me deixou falar...

...

Fazia muito tempo que eu não ficava com tanta vontade de entrar num buraco e sumir. A conclusão a que cheguei é que a NET – sim, sempre ela –, com seus contratos cheios de entrelinhas e "mirabolâncias" me deixou com um pé atrás em relação a qualquer relação de consumo a que sou submetida. Daí fico sujeita a cometer injustiças como esta.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Como faz para não lembrar?

Não há um dia que se passe sem que eu pense no meu pai, e nas coisas que ele me ensinou e nas coisas que eu gostaria que ele visse acontecendo comigo. Ocorre que não há também uma semana que se passe sem que eu cite a minha Vó Heloísa, mãe dele, em algum momento que normalmente arrancaria dela alguma de suas frases espirituosas e observações mordazes.

Eu não preciso de datas para pensar nos dois, porque ambos sempre estiveram e sempre estarão presentes na minha vida. Então, será que dava para pelo menos eu deixar de lembrar que três dias depois do meu aniversário de 22 anos ele nos deixou, e ela se despediu dois dias depois de eu completar 36?

Bendita saudade, que até para de doer, mas não diminui nunca.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quem eu quis ser um dia (mas logo desisti)

Durante os primeiros dias do ano letivo da segunda série do então primário, eu tive um ídolo. Era a Ana Maria, colega que sentava ao meu lado na sala de aula. Começava pelo nome. Ana Maria era um nome assim, básico, minimalista, algo que, mesmo inconscientemente, eu já achava muito chique. Os longos cabelos crespos dela estavam sempre perfeitamente bem postos, sem um fio fora do lugar, com cachos definidos e de um castanho claro brilhante. Tinha também o tom de voz da Ana Maria, sempre suave, sempre monocórdico - um luxo, acreditava eu, cria de família mezzo italiana, mezzo alemã.

Nas aulas de educação artística, a Ana Maria tinha um jeito impressionante de organizar o material em cima da carteira (era São Paulo, onde a classe gaúcha se chamava carteira, e a sala de aula, classe). Cada lápis de cor que escolhia usar era cuidadosamente retirado da caixa e, antes de ser substituído por outro, meticulosamente devolvido ao lugar de origem. Todos sempre perfeitamente apontados. Sempre arrumados na ordem em que vinham de fábrica.

Nos cadernos, cada linha que era pulada ganhava um desenhinho diferente (de uma flor, um coração, uma joaninha...). Sempre feito com o cuidado e a paciência relatados acima. E cada frase que ganhava um ponto final recebia também uma daquelas alisadinhas do papel que todos os fãs de papelaria costumamos dar nas primeiras palavras que imprimimos numa folha nova. Só que ela fazia isso o tempo todo. Além de tudo, a Ana Maria não caminhava, mas flutuava. Na educação física, fazia todas as atividades com absoluta indiferença. E não transpirava. Nem ficava ofegante.

Desencavei esse monte de informações dos meus arquivos mortos mentais hoje depois de ver entrar no ônibus em que eu estava uma moça com um olhar perdido, distante e blasé - igualzinho àquele que eu tanto admirei na Ana Maria naqueles primeiros dias de aula de 1982. Quase vinte e nove anos depois, passei a tarde tentando desvendar o porquê daquele fascínio. Não consegui. Só consegui lembrar de todos os detalhes sobre ela que tentei imitar: os cabelos bem ajeitados (que despenteavam à primeira brisa), os gestos delicados (que faziam com que eu demorasse demais para fazer tudo, e meus pensamentos acabavam sempre atropelando as minhas mãos), a voz baixa e monocórdica (quem me conhece deve imaginar a tortura que foi, ainda mais aos oito anos), os lápis de cor arrumados durante o desenho e não apenas depois (o que fazer com a criatividade que insistia em ser mais veloz do que a habilidade para ordenar as cores na caixa?), o caminhar flutuante (faz-me rir).

Não sei o que aconteceu com a Ana Maria. No ano seguinte, eu me mudei para Sorocaba e não faço ideia de qual era o sobrenome dela (sem chance de encontrá-la no Google ou no Facebook, pois). Lembro que era sempre dela uma das notas mais altas da turma (junto com a minha, que só deixaria de ser CDF absoluta alguns anos depois). Lembro também de ela estar sempre sentada na hora do recreio, com o olhar perdido no infinito, etérea (embora então evidentemente eu sequer soubesse da existência do termo "etérea"). E lembro que, entre uma brincadeira e outra, suada, com os cabelos desgrenhados e as bochechas vermelhas, eu olhava de longe para ela e sentia um pouquinho de inveja daquele ar de princesa que eu nunca consegui imitar por mais de três minutos seguidos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

De como (res)surge a saudade

Organizando as gavetas do trabalho para encontrar tudo organizado ao voltar no dia 27 das férias que começam amanhã, encontrei as fotos que tinha na minha mesa da redação do clicRBS, de onde saí em 2006. Duas delas mostravam o Bubi e o Floc juntos. Daí que eu então lembrei de quanta saudade o Floc deixou.

Fim de ano é assim, né? Anteontem foi dia de sentir saudade do pai, na o dia em que ele faria 63 anos. Consequentemente, deu saudade da vó que nos deixou no começo do ano e de todos os que não estão mais aqui se não na nossa lembrança.

Hoje, eu reli este post de mais de três anos atrás, sobre a morte do Floquinho e chorei de novo.

Quem mandou limpar as gavetas?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Yesterday

Textos de jornalistas, reportagens de diversas plataformas, posts, tweets e comentários de Facebook já disseram e mostraram tudo o que poderia ser dito e mostrado sobre o maravilhoso show que o maior dos beatles fez ontem em Porto Alegre. Mas por ter estado lá - e ainda estar sob efeito de toda aquela energia -, achei que precisava registrar um pouco do que senti por aqui. Foram três horas de espetáculo (e a palavra aqui se aplica em todo seu esplendor), mas eu queria muito, muito mais. Eu e todas as milhares de pessoas que custaram a arredar pé do Beira-Rio à meia-noite.

Paul McCartney não é deste mundo. E isso ficou claro ontem. As composições do homem cobrem uma gama de estilos musicais que vai do bolero ao rock pesado. E todos com excelência. Aos 68 anos, Sir Paul deixou a todos embasbacados com a vitalidade e a simpatia que esbanjou em cima do palco. Homenageou o John - meu quarto beatle preferido - e o George - o segundo, antes de Ringo. Something foi qualquer coisa de especial. A lembrança de George Harrison e a interpretação perfeita da banda de Macca me levaram as lágrimas pela primeira vez.

O choro veio forte com Yesterday, apesar de ela não estar entre as minhas canções preferidas. É que foi Yesterday a música que me introduziu ao maravilhoso mundo dos besouros de Liverpool. Era a favorita do meu pai, de quem herdei a coleção de fitas cassete com a discografia quase completa dos Beatles.

Os primeiros acordes de Eleanor Rigby foram catárticos. Foi naquele instante que me dei conta de que nunca mais - eu disse nunca - qualquer outro show seria capaz de superar aquilo tudo. Talvez apenas outro do próprio Paul, mas então não mais favorecido pelo fator "primeira vez".

Apesar do repertório (muito bem) escolhido a dedo, faltou muita coisa. Faltou, por exemplo, For No One, a música que inspirou o título original deste blog em 2003: The Day Breaks. E faltou Fool on the Hill. Mas esteve lá Live and Let Die, numa versão explosiva e impecável.

Sir Paul, many thanks indeed!

domingo, 24 de outubro de 2010

A vida é confusão, mas é duca

Primavera em Porto Alegre é sinônimo de dias luminosos, volta do calor, noites frescas e muita programação cultural. As pessoas saem mais às ruas, que ficam mais coloridas. Este domingo foi cheio de coisas boas e alegres que só fizeram reforçar essa impressão.

De manhã, teve café da manhã de despedida com os queridos cariocas Bernardo e Roberta, que hospedamos em casa desde quinta. Depois, um passeio pela Redenção, onde conferimos a feira de troca de livros promovida pela CLL e eu, depois de muitos anos, desfilei ostentando adesivos que declaravam meu voto a presidente. No almoço, estivemos entre os felizes comensais da feijoada feita pelo Felipe, na agradável companhia de Pedro, Mari e cia. À tarde, um pouco de trabalho, que não faz mal a ninguém, e uns minutinhos de descanso antes de partir para o ponto alto do final de semana.

Ao lado de um trio formado por mãe, tia e prima, assisti ao belíssimo espetáculo que encantou as centenas de pessoas que lotaram o teatro da reitoria da UFRGS. Nico Nicolaiewsky e Fernanda Takai eram os convidados especiais do Concertos Dana, com a orquestra da Ulbra, regida por Tiago Flores e participação especial do Pedro Verissimo.

O show teve direito a bis improvisado - um verdadeiro luxo, em tempos em que o bis já costuma estar no programa. Os três - Nico, Fernanda e Pedro - fizeram uma linda repetição de uma das músicas de que eu mais gosto do CD Onde está o amor, do Nico: A vida é confusão.