O dia se espatifa: etiqueta
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Post Lavoisier sobre comportamento em bufês

Renovei o visual do blog e decidi que precisava postar algo. Ocorre, porém, que o tempo urge, e o que me inspirou para postar hoje foi o gentil senhor que, ao se servir na minha frente no bufê, não apenas levou vários minutos para deixar a fila andar como o fez justamente porque estava catando os raviólis que continham queijo, desse modo varrendo a parte de cima de metade da porção que deveria servir várias criaturas. Achei, portanto, desnecessário reescrever o que já havia escrito em 25 de abril de 2008 neste mesmo.
Diga-me como te portas num bufê…

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Da (falta de) etiqueta nos novos tempos

Atire a primeira pedra o vendedor que, num dia mal humorado, não tenha pensado que seu trabalho seria muito mais fácil se não fossem os compradores, ou o psiquiatra que nunca tenha desejado - ainda que por um instante - o extermínio de todos os pacientes da face da terra. E não vou ser hipócrita de dizer que jornalista também não pensa de vez em quando que a vida seria mais simples se não fosse o leitor/telespectador/ouvinte/internauta e que professor não sonha um dia ter uma sala de aula sem alunos, só para variar.



Essa injustiça absoluta contra a figura genérica do cliente  - de qualquer tipo que seja - se deve, evidentemente, aos maus clientes. Aos malas, mal educados, prepotentes, obtusos, arrogantes e, em maior número e grau, os sem noção. Ninguém mais discute que ouvir o que o cliente tem a dizer e agir em relação a isso precisa ser o objetivo primeiro de qualquer profissional em qualquer área. Mas o trabalho de todos seria muito mais tranquilo se os clientes também atentassem para regras básicas de civilidade.



Toda essa introdução é porque ontem, em dado momento do show do Jorge Drexler, eu pensei que ele talvez tenha esperado - por um milésimo de segundo que fosse - que parte da plateia que lotava o teatro do Bourbon Country evaporasse. O músico uruguaio é um fofo que desde sempre estimula o diálogo com o público ao longo de suas apresentações. Só que essa demonstração de sintonia com o "mundo 2.0" acaba o transformando em alguns instantes numa vítima daquelas criaturas que (1) parecem nunca ter ido a um show em teatro na vida, (2) vão a um espetáculo com a intenção de aparecer mais que o artista e/ou (3) nunca levaram uma palmada pedagógica quando necessário.



Como ontem não dava para identificar as criaturas e muito menos dar essas dicas a elas pessoalmente, preparei uma singela listinha de coisas que podem parecer rabugice, mas, na boa, são apenas regras básicas de convivência humana aplicadas a um espetáculo realizado em teatro com lugares marcados:




  • Vocês que ficaram pedindo músicas: o show é num teatro, não num bar, certo? Não peça músicas. Ao menos não insistentemente. Os artistas planejaram e ensaiaram o espetáculo para funcionar de uma certa forma. É chato!

  • Vocês que ficaram gritando "lindo" ao final de cada música: existe um limite para quantos gritos de "lindo!" e "gostoso!" e outras demonstrações de devoção feminina. Quando os berros atrapalham que se ouça as músicas, é porque o limite foi ultrapassado. Amigas, quem estava ali para ser visto e ouvido era o artista, não vocês, valeu?

  • Vocês que ficaram fazendo piadas "internas" com o artista: não tem graça. Ou só eu notei o constrangimento do coitado tentando "mudar de assunto"?

  • Vocês que ficaram filmando o show: eu me pergunto, pra quê? Pra que pagar o ingresso? Só pra postar um vídeo escuro com som péssimo no YouTube e mostrar pros amigos como vão a eventos e são descolados? O show estava bem bacana, mas acho que vocês não chegaram a ver ainda, né?

  • Vocês que ficaram tirando fotos com flash: devem ter ficado bacanas as imagens chapadas pelo flash das cabeças dos coitados da frente, hein? Além do mais, atrapalha.



Toda vez que vou a shows em teatros, vejo essas coisas acontecerem. E toda vez eu me incomodo com isso. Um amigo disse ontem que não tem mais volta, que são os novos tempos, e meio que me olhou como se eu fosse uma chata careta que desrespeita o direito dos outros de me desrespeitarem. Mas, puxa vida, será que os novos tempos estão mesmo fadados a serem um tempo em que desrespeitar o espaço dos outros é algo aceitável. Ou pior: um tempo em que indignar-se com essa deseducação é visto como intolerância e falta de capacidade de adaptação ao novo? Ainda mais considerando que, pelo menos por ora, essas criaturas felizmente são minoria.