O dia se espatifa: maternidade
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domingo, 25 de agosto de 2013

Dois anos e (os primeiros) 500 dias com ela

O Márcio Pinheiro e eu nunca vamos nos esquecer que 25 de agosto de 2011 caiu numa quinta-feira. Foi a quinta-feira mais emocionante que vivemos até então. Foi o dia em que descobrimos que estávamos grávidos de cinco semanas da nossa pitoca. Ainda não fazíamos ideia se seria menina, menino, um, dois ou três, mas sabíamos que estávamos felizes, muito, muito felizes.

 Achávamos que aquela seria a quinta-feira mais feliz da nossa vida. Até a quinta-feira 12 de abril de 2012, quando a Lina estreou neste mundo, exatos 500 dias atrás. Passados esses 500 dias, percebemos que fica cada vez mais difícil medir os dias como sendo "os mais felizes", porque cada nova quinta-feira (ou cada dia) ao lado da nossa pequena é uma das melhores coisas do mundo.

Obrigada, universo, por botar esta pequena nas nossas vidas!

O retrato da faceirice na comemoração, à noite

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dos planos de maternidade e dos planos depois da maternidade

Não consigo nem imaginar a cara que eu faria se alguém me dissesse, em 1992, quando eu estava entrando na faculdade, que dali a vinte anos (e só dali a vinte anos) eu teria uma filha e daria graças aos céus quando fosse desligada da empresa em que estava num cargo bacana, fazendo um trabalho de que eu gostava com gente querida e ganhando um belo salário no dia da volta da licença maternidade. Primeiro, porque eu sempre "soube" que seria mãe aos 28 anos (em 2002, portanto). Segundo, porque os planos desde a adolescência (porque nunca cogitei de não ser mãe) eram ser uma working mom moderna, daquelas que tem apenas duas horas por dia para dedicar ao filho, mas que as dedica ao máximo. Ponto.

Daí vieram os tais 28 anos, e a gente estava de mudança para São Paulo. E eu nunca que teria filhos em São Paulo. Aos 30, quando voltamos, retomamos o projeto. Mas, como as coisas nem sempre (ou quase nunca?) saem como planejamos, o filho não vinha nunca. E daí que nos oito anos seguintes a gente mudou de emprego, comprou casa nova, viajou, fez novos amigos, fez tratamento que não deu certo, trocou de médico, trocou de carro, viajou, fez mais novos amigos, fez mais tratamento que não deu certo, chorou, desistiu de ter filho, invejou amigos com filhos, sofreu a morte de um cachorro velhinho, adotou uma nova cachorrinha.

Aos 37 anos, depois de muita conversa e de conscientização de que viver sem filhos não seria o fim do mundo, afinal, decidimos que faríamos uma última tentativa. Eis que essa "última tentativa" está engatinhando aqui do meu lado, faceira, faceira, às vésperas de completar 11 meses. E eu estou escrevendo este post correndo, porque preciso retomar a revisão de um trabalho que preciso/quero entregar ainda hoje. Como, felizmente (hoje posso dizer isso), os planos de ser mãe aos 28 deram errado, tive a possibilidade de consolidar uma carreira de tradutora em paralelo à de jornalista, quase que por diletantismo. E a carreira paralela virou carreira principal. E todos estamos vivendo felizes para sempre até o próximo imprevisto.

Porque o maior aprendizado de tudo isso foi que planejar toma tempo demais da vida que a gente poderia estar vivendo. E que fazer o que não nos dá muita paixão apenas pela grana não vale a pena.

PS.: Decidi escrever este texto depois de ler um dos posts da blogagem coletiva proposta pelo blog Mamatraca, no SuperDuper. Fugi um pouco do tema, mas espero não ser eliminada por isso ;-)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Bebê automóvel

No instante em que escrevo, a Lina descansa a cabecinha na almofada que sempre deixamos sobre o edredon no qual ela tem passado bastante tempo dos últimos dias, no chão do escritório onde trabalhamos. Descansa da  atividade preferida mais recente, que tem sido girar sobre o próprio eixo depois de se posicionar de bruços, numa clara tentativa de ir para onde a curiosidade - e a vontade - mandam. E eu começo a compreender na pele o sentido da expressão que diz que criamos os filhos para o mundo.

Anos de observação de bebês fofos de pais alheios, e eu sempre acreditei que um bebê começar a engatinhar, caminhar, correr era apenas isso: um aprendizado humano natural. Oito meses e meio depois da minha filha sair de dentro de mim e entrar neste mundo, percebo que o significado por trás dessa mobilidade é muito maior. Ao menos para nós, os envolvidos. A Lina começa a trilhar um caminho próprio. A nós, restar torcer e trabalhar para que seja um caminho florido e que leve a lugares e coisas muito interessantes.

Bom começo de viagem, minha pequena.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quem precisa de mais uma mãe blogueira?

Uma querida amiga minha, mãe de uma linda guriazinha pouco mais velha do que a Lina, revelou esta semana que está pensando em fazer um blog sobre a maternidade. Jornalista e tradutora como eu, ela pensa, como eu, que pode ser bacana ter um espaço onde dividir nossas impressões e sentimentos. Não sei se as dúvidas dela são as mesmas minhas, mas, já que eu já tenho este espaço aqui, peço carona no assunto trazido à baila por ela para dividir as minhas primeiras considerações com meus supostos dezessete leitores.

1 - Alguém precisa de mais uma mãe blogueira?
2 - O que eu posso dizer sobre a maternidade que já não tenha sido dito milhares de vezes?

3 - Alguma coisa que eu possa dizer sobre a minha experiência pode vir a ajudar alguém?

4 - Será que as coisas que eu escrever não podem vir a se transformar no futuro em motivo de vergonha para a minha Lina adolescente?

5 - Tenho eu direito de expor minha pitoca, por menos leitores que possa ter este ou qualquer outro blog que eu venha a fazer?


São questões básicas, básicas, mas que, acreditem, têm tomado parte do tempo que passa tão rapidamente nesta minha licença que se aproxima do fim.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Com licença, maternidade

Durante a gravidez, fiz várias vezes a autocrítica de como estava monotemática. Mal sabia que depois do nascimento da minha filha a situação só pioraria. Nas primeiras semanas, pensei seriamente que meu cérebro jamais voltaria a absorver qualquer informação ou conhecimento que não estivessem relacionados àquela criaturinha linda, apaixonante e frágil no meu colo. Quatro meses e meio se passaram, e há alguns dias, naturalmente, comecei a pedir licença à maternidade e a olhar um pouco ao redor.  Sigo completamente apaixonada, minha filha está cada dia mais linda e ainda me parece frágil, mas começo a perceber que posso aproveitar o fato de ser mãe da Lina e continuar interessada no mundo ao redor ao mesmo tempo. E essa percepção tem sido libertadora.

Este blog nunca foi sobre tema algum. Como disse na minha apresentação: "Jornalista, tradutora, arquiteta de informação, gerente de projetos e professora de jornalismo online, tudo ao mesmo tempo agora, sou incapaz de concentrar meus interesses numa área só. Com preguiça de ter um blog para cada assunto, acabei optando por este, que fala de tudo um pouco – e, claro, de quase tudo mal." O descompromisso com a profundidade sempre foi uma marca deste humilde e, mesmo assim, impressionantemente, cheguei a ter uma clientela fiel, que muito me animava a buscar novas informações sobre velhos interesses e novos interesses. Em busca desse estímulo, declaro o blog oficialmente "desparalisado" para assuntos que não apenas... a maternidade.

***

P.S.

Bendita seja a licença-maternidade. Bendita ao cubo seja a licença-maternidade de seis meses - que pode ser aumentada com um mês de férias. Porque só assim uma mãe consegue passar por esse processo que estou passando com um quê de tranquilidade.

Mas, vamos combinar, querido tempo, será que dá para passar um pouquinho mais devagar nos próximos dois meses e meio? ;-)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Lina dorme

Meu último post aqui foi feito pouco menos de um mês antes da minha filha nascer. Em seis dias, ela completará três meses. Há quase três meses, portanto, minha vida tem sido repleta de acontecimentos importantes como a Lina mamou, a Lina arrotou, a Lina está com cólica, a Lina sorriu, a Lina está com a avó enquanto eu corro até o súper, a Lina fez cocô, a Lina mamou, a Lina engordou, a Lina sorriu de novo, a Lina fez mais cocô. Agora, neste instante, a Lina dorme. E eu, afinal, consigo fazer algo que achava que nunca mais conseguiria fazer: escrevo um post.

Somados os últimos aos meses da gravidez, devo ter lido bilhões de caracteres sobre gerar, parir e criar um filho. Livros, revistas, jornais, blogs, artigos médicos... a Lina está respirando pesado? Lá vou eu para o Dr. Google: bebê respiração pesada. A Lina dormiu seis horas seguidas? Dr. Google: sono bebê dois meses. Com isso, acabo caindo em cada coisa... Como é que essas mães acham tempo para escrever tanta coisa? Tem gente que faz pesquisas imensas e publica posts incríveis com muita informação de qualidade. A maioria, porém... deuzolivre. Muitas agem como se fossem as primeiras mães do mundo moderno. Como se gerar, parir e criar um filho fosse a maior novidade do universo. E é preciso dizer que, felizmente, não é.

A Lina dorme e acabo de finalizar o segundo parágrafo deste post sem dizer nada. É que, entendam, não tenho o que dizer que possa interessar a alguém que não a mim e aos mais próximos. Ao menos não agora. A Lina dorme e daqui a pouco vai acordar para mamar e depois vai dormir de novo (depois de eu trocar a fralda cheia de xixi). Parece um tédio olhando daí? Pois eu posso garantir que está sendo a minha maior aventura.