O dia se espatifa

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Manual básico de posicionamento político em tempos de redes sociais

Se sou a favor da descriminalização do aborto, preciso ser ateia.

Se sou contra desejar a morte de pessoas que louvam a tortura, não posso abominar quem louva a tortura.

Se sou a favor das cotas para minorias nas universidades, preciso ser contra a meritocracia em todas as suas formas.

Se sou a favor de programas sociais, preciso achar que Lula foi o melhor presidente que o país já teve.

Se sou contra aplicação indiscriminada de vacinas sem efeitos comprovados pela ciência, preciso ser militante antivacinas.

Se sou favorável ao aleitamento materno de bebês exclusivamente até os seis meses, preciso olhar enviesado para as mães que optam por fazer diferente.

Se defendo o fim da estabilidade indiscriminada do funcionalismo público, preciso me filiar a um partido de direita.

***

Reprovada com louvor em todas as matérias!


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A vida em uma música

A ciência já deve explicar, mas a mim falta o conhecimento para compreender o que torna um momento indelével em nossa memória. Um cheiro. Um sabor. O gesto ou o olhar de alguém. Às vezes, como ocorreu ontem, algo que já estava impresso nas nossas lembranças afetivas ganha, subitamente, um significado muito maior.

Renato Borghetti, o músico, faz parte da minha vida há pelo menos 30 anos, quando meu pai chegou de viagem a Porto Alegre com uma fita cassete de um guri virtuose na gaita ponto. Eu tinha 11 anos, mas entendi imediatamente que ali estava algo muito especial. Borghettinho nunca mais saiu da trilha sonora da minha vida.

Nos últimos dois anos, porém, ele invadiu a minha casa, enquanto o pai da minha filha escrevia a biografia dele, muitas vezes ao som de suas músicas. A tal ponto que nossa pequena é capaz de reconhecer "o tio Boguéti" ao primeiro acorde de uma peça. E ele passou a ser de carne osso, assim como a família linda e colorida que construiu no caminho. Linda e colorida de verdade. E eu agradeço ter sido recebida no meio deles nesta carona que me deu o Márcio.

Nesse período, fiquei particularmente encantada pela interpretação dele de Barra do Ribeiro, uma música linda, linda, linda. Porque melancólica, alegre, tranquila, agitada, tensa. Em alguns momentos, ela parece ter terminado, numa nota triste, desesperançosa, para em seguida retomar o caminho possibilidades acima.  Não sou crítica de música, e posso estar escrevendo muita bobagem, mas essa execução de Barra do Ribeiro me faz sentir tudo isso. Me faz acreditar que dá sempre pra seguir em frente, que as coisas boas vêm e vão, assim como as ruins. Só não se pode desistir de tocar.

Obrigada, Renato, Pedrinho, Daniel e Vitor. O que vocês fizeram ontem naquele palco do São Pedro com esta música criou uma lembrança que vou levar para todo o sempre. Eu chorei muitas lágrimas. De tristeza, de saudade, de melancolia, de mágoa, mas também de alegria, de esperança nas possibilidades, de gratidão e de perdão. Todas essas coisas de que é feita a vida. Obrigada. A noite toda foi linda, mas vai ser aquela música que vai ficar marcada para sempre na minha memória. E esta lembrança vai estar comigo a cada novo passo da minha nova jornada.

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Meu pai e uma fita K7

Faz mais de 30 anos, e eu me lembro como se fosse hoje do meu pai chegando em casa de uma viagem a Porto Alegre (morávamos em Sorocaba) com uma fita K7 com um gaiteiro cabeludo na capa. "Esse guri é incrível!" E aquela fita K7 não saía do toca-fitas do carro dele. E eu me lembro que às vezes ele enchia os olhos de lágrimas ouvindo o guri tocando tão lindamente, principalmente nas férias, quando estávamos na estrada que ligava São Paulo a Porto Alegre.
Eu me lembro que quando conheceu o Márcio, há quase 20 anos, meu pai disse que gostou do guri (algo que ele nunca havia dito sobre os carinhas que eu apresentava pra ele). Se não tivesse morrido poucos meses depois de conhecer o pai da neta dele, meu pai provavelmente estaria orgulhoso do livro que o genro dele escreveu sobre a vida do cabeludo virtuose da nossa fita K7.
Ontem, no Ocidente, vendo aqueles quatro músicos fantásticos tocando com tanta energia boa (porque o cabeludo não apenas toca muita gaita, como é cercado de pessoas incríveis), fui eu que enchi os olhos de lágrimas pensando nisso tudo.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Desenhando...

Vamos deixar uma coisa estabelecida neste começo de semana?
Dentro do cenário político brasileiro existem muitas vertentes...
1 - Existe a situação democrática que defende o governo atual apesar de suas falhas e problemas — inerentes a qualquer governo democrático
2 - Existe a oposição democrática ao governo atual — onde me situo
3 - Existem os que são contra tudo isso que tá aí e estão sempre numa oposição cinzenta atirando pra qualquer lado de maneira inconsequente e adolescente
4 - Existem os que não sabem o que está acontecendo no mundo e replicam e repetem coisas que acham bacaninha aqui ou ali
5 - Existem os que não sabem o nome da presidente da república e não conseguem diferenciar um partido de um armário embutido
6 - Existem os cabeças de vento reacionários que defendem um golpe (confesso que não conheço pessoalmente nenhum, ou, se conheço, já deletei DA VIDA)
7 - E existem os cabeças de vento que tatuaram a estrela no peito e defendem o João Santana, ops, a Dilma e o projeto petista de poder com mentiras e argumentações que contrariam qualquer bom senso
Então, muito cuidado antes de chamar teu amigo do tipo 1 de petralha ou teu amigo do tipo 2 de coxinha golpista. Porque isso te aproxima muito, muito, muito dos itens 6 e 7 — que eu prefiro simplesmente ignorar.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Da autoimagem e do desserviço de alguns profissionais

Então eu deparo com a fan page de uma médica endocrinologista especializada em dietas de controle da obesidade. E o conteúdo todo da página é, evidentemente, sobre os malefícios da obesidade e os benefícios de uma dieta saudável. Nada a discutir aqui, não sou médica, mas apenas uma pessoa acima do peso (com o peso estável, diga-se) há mais de 15 anos que mantém obtendo resultados de exames saudáveis anualmente e se sente mal apenas quando fica muito tempo sem se mexer.

Dito isto, o que mais me irritou na página: as fotos "saudáveis" são TODAS de modelos lindíssimas (e macérrimas, e sou capaz de apostar várias provavelmente portadoras de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia). Por que ignorar todo o oceano que existe entre a obesidade e os hábitos alimentares prejudiciais (quantas pessoas magras você conhece que sofrem com glicose e colesterol alto?) e não postar fotos de pessoas NORMAIS, com pesos NORMAIS, como exemplo de vida saudável?

Que feio profissionais de saúde contribuírem para essa maldita construção da imagem impossível que tanto prejudica a formação da autoconfiança das nossas crianças em relação a seus próprios corpos...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A eloquência do coração

Quando crianças, aprendemos a desenhar corações e descobrimos que eles significam amor. Com o passar do tempo, aprendemos que quem manda mesmo é a cabeça, que o coração não faz nada além de pulsar. Mais tarde na vida, percebemos que, mesmo que a cabeça mande, é o coração que salta de emoção, aperta de tristeza, dispara de excitação. É o máximo esse tal de coração.

Durante a vida, tem aqueles momentos em que dizer alguma coisa é muito pouco. Quando vemos uma foto de um bebê encantador que acaba de nascer, quando sabemos de alguém querido que perdeu alguém amado, quando queremos dizer que entendemos a dor/a alegria/a ansiedade de uma pessoa importante para nós e que a cercamos de carinho embora não saibamos muito bem como expressar em palavras.

Não, eu não sou adepta do coração com as mãozinhas unidas. Acho brega. Me julguem. Mas, no texto digital, ainda estão por inventar símbolo mais eloquente do que a sucessão do sinal de menor com o número 3. 

<3

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Viva o Papa Francisco! Pelo fim das igrejas!

Outro dia um amigo criticou o fato de o papa Francisco ser incensado por dizer apenas o óbvio. De fato, ele diz apenas o óbvio ululante do humanismo. Mas aí que tá a beleza da coisa. Quem foi criado na Igreja Católica como eu, em que as "catequistas" muitas vezes usavam frases como "porque é assim", "porque o divino espírito santo quis assim" ou "são os desígnios de deus" para explicar os questionamentos infantis, sabe o valor que é ter um sumo pontífice (que eu sempre achei que tivesse alguma coisa a ver com suco) que fale a nossa língua, que diga... o óbvio. 

Num mundo ideal, os papas Franciscos de cada religião destruiriam as tradições de suas instituições e as migrariam para uma filosofia de solidariedade ecumênica, em que todas as crenças fossem respeitadas igualmente (inclusive as não-crenças), e apenas uma lei seguisse valendo, com uma redação mais ampla: ama ao próximo como a ti mesmo e ao universo sobre todas as coisas.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Balanço do ano

2014 foi um ano intenso. Um ano de perdas, rompimentos, afastamentos. Mas também um ano de ganhos, reencontros e novos encontros. Foi um ano de depuração. De autoconhecimento e um pouco mais de percepção sobre o nosso papel nesse universo — se é que isso é realmente possível.
2014 foi o ano em que completei 40 anos. Com a meia-idade, veio a crise. Mas quem disse que crises são sempre ruins? Obrigada de coração a todos os que me acompanharam nas últimas 52 semanas, da maneira que tenha sido. Pessoalmente, por telefone, por e-mail, por Facebook, por telepatia. Obrigada a cada um de vocês.
Obrigada, 2014.
Vem ni mim, 2015.
Que cada um que esteja lendo esta mensagem tenha muitas coisas boas a celebrar daqui a um ano.

sábado, 11 de outubro de 2014

As críticas a quem as merece

Não é novidade pra ninguém que me conhece e me acompanha que, desde que saí da RBS, em novembro de 2012, eu me tornei uma grande crítica nas redes sociais das práticas empresariais e o resultante jornalismo que sai de lá. Já teve muito amigo querido que me alertou para eu cuidar para não ficar parecendo rancorosa demais (rancor do quê, se minha vida profissional só melhorou?) e teve muito ex-colega que eu respeito demais fazendo cara feia pra mim ao me encontrar, como se eu fosse uma espécie de traidora.

Mais de uma vez, inclusive, gente que ainda está lá dentro e a quem eu respeito me mandou mensagem reclamando por ter se sentido pessoalmente ofendido por críticas feitas a conteúdos da firma. Claro, esses conteúdos são feitos por gente, muita gente boa, e é natural que eles se ressintam de críticas. Mas é fundamental entender que não é uma questão pessoal, é questão aritmética.

Nas redações da RBS ainda tem muita gente ótima. Muita gente, inclusive, a quem eu devo muito do que sei e sou e tenho. Só que é preciso cuidar com a repetição do discurso do patrão (de que o "jornalismo" precisa se adaptar aos novos tempos, blablablá). Eu mesma repeti esse discurso com convicção muitas vezes, e hoje tenho vontade de sumir quando lembro de coisas que disse.

É que, lá dentro, esse discurso parece fazer muito sentido, mas, daqui de fora, é triste, muito triste ver redações sem gente pra fazer bem o que sempre foi bem feito. Quem restou (e a tendência é que o número seja cada vez menor) está matando um bando de leões por dia, mas a falta de gente, de quantidade mesmo, não de qualidade, tá cada vez mais evidente nos produtos. Porque os produtos não ficaram menores, pelo contrário. Tem muita coisa bacana sendo feita ainda, evidente e felizmente, mas a que custo para esses profissionais? Para a motivação e a alegria de viver dessas pessoas?

É matemática: 200 pessoas pensam mais, melhor e com mais folga do que 20. Não importa o quão excelentes sejam as 20 cabeças. Assim, espero que o pessoal que batalha no dia a dia pra fazer sites, jornais e programas de rádio e TV entenda que, nas minhas críticas (com suas repercussões quase ínfimas, é bom lembrar sempre), nunca está uma crítica ao pessoal valoroso com quem tive, em muitos casos, o orgulho e o prazer de trabalhar. A minha crítica foi, é e sempre será à mentalidade obtusa e tacanha dos dirigentes da empresa (ok, eu sei que tá assim no mundo todo, mas as demais empresas não me disseram respeito), que estão tentando provar na marra que é possível contar com geração espontânea de conteúdo.

domingo, 5 de outubro de 2014

Política de verdade

Então daqui a pouco a gente vai votar. E eu espero que todo mundo vote contente com suas escolhas. E eu fico contente de saber que, independentemente do resultado das urnas, minha vida e minhas crenças, na segunda-feira, seguirão seus rumos.
Política eleitoral é inevitável, e é importante, mas não tenho dúvidas de que é no dia a dia, no contato com quem está perto da gente e no nosso respeito pelos outros – na política do cotidiano –, que podemos fazer realmente alguma diferença.

domingo, 21 de setembro de 2014

Uma lista e 10 escolhas

Ontem, no Facebook, minha amiga Luciana Delacroix me desafiou a fazer uma lista de 10 livros que me marcaram. Não gosto disso. Sempre acho que falta muita coisa. Então, decidi fazer a lista dos 10 primeiros de que me lembrei. Foi na ordem de lembrança, não de importância:

1. Matadouro 5 - Kurt Vonnegut
2. A língua absolvida - Elias Canetti
3. Eichmann em Jerusalém - Hannah Arendt
4. As penas do ofício - Sérgio Augusto
5. O papel do jornal - Alberto Dines
6. Fragmentos de um discurso amoroso - Roland Barthes
7. Lágrimas na chuva - Sergio Faraco
8. Memórias do esquecimento - Flávio Tavares
9. Marcas de nascença - Nancy Huston
10. Ensaios de Amor - Alain de Botton

Feita a lista, parei para a analisar o percurso do raciocínio, e achei bem interessante: (1) o livro que traduzi que mais me orgulho de ter traduzido até hoje, (2) primeiro livro "complicado" que li, aos 14 anos, que me fez lembrar da questão do judaísmo e do (3) livro mais forte sobre o holocausto que li até hoje, que me fez lembrar do texto do Sergio Augusto postado hoje pela Maria Lucia Rangel no Facebook e do meu (4) livro preferido dele, que me lembrou outro livro sobre jornalismo (5) que eu li e reli, que me lembrou de livros que li na faculdade e do (6) que mais me emocionou deles, que me fez pensar nos livros mais emocionantes que li nos últimos tempos (7, 8 e 9), e daí eu decido olhar pra estante e pegar o nome do último que li.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A militância petista me convenceu: voto Marina

Então a militância petista vem tentar abrir meus olhos para o fato de a Marina poder não cumprir o que promete. Como diriam em Sorocaba: "Ah, vá?" Também não precisa gastar saliva ou digitação para vir me provar que a candidatura Marina não tem nada de "nova política". Sou grandinha o suficiente para saber o que o marketing político faz (precisa fazer?) para ganhar uma eleição. O PT sabe muito bem como isso funciona desde 2002.

Minha escolha é pessoal e tem motivações quase emocionais. A questão é que não sei se quero continuar vivendo sob o jugo político de pessoas que se consideram detentoras da verdade e da bondade suprema, que, em nome de fins nobres, possam apelar a meios que, antes, essas mesmas pessoas consideravam espúrios.

Política é mais do que números. Política é mais do que se perpetuar no poder. Política tem a ver com respeitar a opinião do outro e buscar consenso. E tem mais: eu também estou cansada – muito, muito cansada – de ser chamada de direita por um grupo que se julga o único detentor das boas iniciativas do mundo. Direita não!

Eu quero arriscar a melhorar. Ainda que, com isso, corra o risco de piorar. Cheguei a pensar em votar conservadoramente (na Dilma), pra seguir na zona de conforto (a vida tá ótima pra mim, preciso confessar), mas a postura da militância "empoderada" (para usar uma palavra que me irrita profundamente) me convence cada vez mais de que apostar em quatro anos em um governo do PSB e da sua aliança pode ser o melhor a fazer pela democracia do país.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Acabou! Acabou! Acabou! Acabou!

Eu nunca, jamais desejei que não houvesse copa. Nunca, jamais acreditei que pagaríamos mico de qualquer forma com nossa infraestrutura, mesmo sem obras. Sempre acreditei que a vinda da copa para o Brasil era uma grande chance de dar mais visibilidade ao país e que a vinda de turistas seria – como sempre é – uma oportunidade única para termos contatos com culturas diferentes e aprendermos que, sim, somos melhores do que nos enxergamos.

Dito isto...

GRAÇAS A DEUS ACABOU A COPA!

Desculpem, mas desde aquela coisa anódina de 2002, com o Cafu dedicando a taça à mulher e ao Jardim Irene (e eu tendo de trabalhar nas madrugadas na cobertura do evento do outro lado do planeta), torcer para o Brasil na Copa do Mundo me emociona tanto quanto jogos olímpicos ou o BBB, ainda que eu entenda perfeitamente quem se emociona (até 1998 eu AMAVA). A simples realização da Copa, portanto, não seria motivo para esta minha antipática comemoração.

A questão é que entre 12 de junho e 13 de julho, minha vida virou um caos. Ser profissional liberal é ótimo. A gente faz nosso horário, tira folga quando quer, distribui o volume de trabalho como dá vontade, pode passar uma terça-feira inteira passeando com a filha sem precisar dar justificativa a ninguém. Basta que o trabalho esteja em dia.

Daí que meu volume de trabalho não diminuiu durante a Copa (graças a Deus!), mas os dias úteis, sim. Para meu esquema funcionar, a filhota vai para a escolinha todas as tardes, de segunda a sexta. De manhã, quando não consigo ficar com ela, a pitoca conta com os cuidados da supervovó. Estava tudo lindo, e havia alguns meses que eu conseguia não trabalhar nunca às noites ou aos finais de semana E atender aos clientes sempre nos prazos, sem atropelos.

O que me espanta um pouco ainda foi o fato de eu não ter me dado conta antes da matemática simples que se deu neste mês que passou: em dia de jogo na cidade, não tinha escolinha da Lina à tarde + em dia de jogo do Brasil, não tinha escolinha da Lina à tarde. Vocês se deram conta que sobram três tardes em uma semana? Pois é. Eu NÃO tinha me dado conta de que isso ia acontecer. Com isso, não consegui ficar simplesmente indiferente à Copa, como havia planejado. Eu fui atropelada por ela. E passei um mês trabalhando durante as noites e aos finais de semana, quando a Lina – a maior prioridade da vida – estava dormindo ou sob os cuidados da avó, que, aliás, foi fundamental no processo todo. E tá exausta também, tadinha.

Enfim, é mimimi azedo. Ninguém te obrigou a ler até aqui, néam? Mas eu precisava desabafar.

Pra não dizer que não falei de flores, parabéns, Alemanha. Que feio os nossos 7 x 1 e 3 x 0. Orgulho master do nosso país (e da minha cidade) pelas festas lindas. Blablabá...

Agora, sigamos com a programação normal! \o/

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Pechincha chinela...

Fecha a sinaleira, lembro que meu carregador do celular do carro quebrou, abro o vidro e chamo o moço que vende carregadores de celular.

- Moço, me dá um para Samsung - digo, pegando a carteira.
- É 25 real.
- Ah, não. O último eu paguei 10. Obrigada - digo, guardando a carteira.
- Faço por 20.
- Não obrigada, não tenho 20. E paguei 10 o último.
- Eu sou empregado, moça. Faço por 15.
Começo a fechar a janela e ele ATIRA o troço pela janela.
- Me dá 12.
- Só tenho 10 - mostro a nota de 10.
- Pode ser.

Em vez de me sentir esperta, tô me sentindo trouxa, trouxa. Mais um pouco e ele tinha me dado uns 5 pilas pra trazer o carregador. Contrabandeado. Provavelmente a 50 centavos a unidade.

***

Sim, o treco funciona.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

E a vida começa...

Quando eu era menina, diziam que a vida começava aos 40. Hoje o ditado foi atualizado, e já houve quem dissesse que ela começa, mesmo, mesmo, aos 60. Que seja. Fato é que há três dias completei 40 anos e... nada mudou. Mas, mesmo assim, achei que precisava fazer um post aqui. Pra deixar este fato marcado e pra tirar um pouco da poeira deste humilde.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Os Globos de Ouro e eu: dia de perder seguidores nas redes sociais

Não vou mais ao cinema como ia. Também nem vejo mais tantos filmes em casa como via. Devo estar vendo hoje os filmes dos Globos de Ouro de 2012, mas quem se importa. Eu quero é dar meus pitacos no tuíder sobre os atores e atrizes e diretores (antigos, que os novos eu não conheço, sorry), as roupas e o comportamento geral do prêmio, que eu acho divertidíssimo, como fiz em 2009 e em 2007.

Em suma, hoje é dia de ganhar unfollow no tuíder e no feice. Criei até um liveblog pra isso. :-D

domingo, 29 de dezembro de 2013

Retrospectivar é viver

Quando trabalhava em redação, fazer retrospectivas era uma das coisas que eu achava mais divertido. Agora, robôs fazem isso pra gente.

Para este 2013, tem a do Facebook.

E esta outra, feita com as fotos mais curtidas do Instagram...


domingo, 22 de dezembro de 2013

Enfim, meu "relato de parto"

Desde a gravidez, li a respeito e ouvi falar do "plano de parto" e do "relato de parto". Plano de parto eu nem pensei em fazer. Tendo levado tanto tempo para engravidar, achava um despautério imaginar que poderia planejar um parto. A única coisa que fiz foi encontrar uma obstetra que me disse que, sim, faria parto normal mesmo eu estando acima do peso, com 38 anos e tendo uma gravidez tão desejada. Sim, porque os três motivos foram suficientes para que três cesaris..., ops, ginecologistas, que com quem me consultei antes da querida Dra. Rosi Balbinotto declarassem peremptoriamente que com "essas condições" eu dificilmente conseguiria parir.

Abre parênteses. Eu havia ouvido falar en passant sobre "humanização de parto" e "partos domiciliares" e "doulas" e, não, eu não precisava de nada disso. Só que tenho medo-pânico de qualquer cirurgia, e a ideia de abrirem a minha barriga comigo acordada, com meu marido do lado, cortarem sabe-se lá quantas camadas de tecido pra chegarem à minha filha (e se cortassem ela????) me apavorava. Então, quando me dizem que eu fui "corajosa" por ter querido (e conseguido) parto normal (ainda que com analgesia), eu rio internamente e lembro que foi tudo por medo mesmo. Fecha parênteses.

Já o relato de parto eu comecei a querer fazer depois de entrar para o maravilhoso mundo da "maternagem" e todos os seus jargões e todas as suas panelas e personagens. Tem as que defendem amamentação ad eternum, e as que defendem mamadeira desde a maternidade. As que fazem enxoval TODO em Miami e as que usam fraldas de pano e só roupas doadas. Tem as que acham que a forma como a criança nasce define um monte de coisas na vida dela (e da mãe dela) e as que dizem que "sentir dor é para índia", explicando por que marcaram a cesárea para a 38ª semana de gravidez. Enfim, foi "convivendo" virtualmente com as que pensam e militam em torno da forma do nascimento que descobri a figura do relato do parto.

Desde que a Lina nasceu, li vários relatos de partos, muitos deles extremamente emocionantes, de mulheres que lutaram muito e conseguiram (ou não) parir o filho. Desde que me dei conta da existência desse mundo e dessa linguagem (descobri, por exemplo, que a cesárea não é considerada parto, mas cirurgia, e que TP significa "trabalho de parto"), venho ensaiando meu relato de parto. Nunca escrevi o meu, formalmente. Daí ontem, quando uma colega/amiga comentou sobre a ansiedade que está tomando conta dela em suas últimas semanas de gravidez, lembrei disso. E lembrei que escrevi, sim, uma espécie de relato de parto. Fui atrás e encontrei o texto que reproduzo abaixo e que foi feito do dia em que a Lina completou seis meses.

LINDA DE VERDADE
Há exatos seis meses, mais ou menos neste horário, eu estava sentada na frente deste mesmo computador escrevendo um e-mail para convidar o pessoal do trabalho para um almoço de despedida. Era quarta-feira, e sexta seria meu último dia de trabalho antes da licença-maternidade. Resolvi sair duas semanas antes da data prevista para o parto para acertar detalhes. Tinha que preparar as lembrancinhas e rearrumar as malas da maternidade - a minha e a da Lina.
No dia anterior, tinha ido à médica, que me tranquilizou. Eu estava com um centímetro de dilatação, a Lina estava posicionada, mas não encaixada. Estava pronta para nascer, mas aparentemente ainda ficaria umas duas semanas lá dentro, ganhando peso. De qualquer maneira, se eu tivesse alguma contração com dor, não precisava me assustar. Eu poderia ficar alguns dias sentindo contrações com dor.
Perto da meia-noite, enviei o e-mail com o convite para o almoço de quinta-feira e dei uma última olhada no Facebook e na caixa de e-mail. Na noite da quinta, comeríamos uma paella feita pelo Mário de SantiSanti, na casa dele e da Dilza de Santi. Perspectiva gastronômica mais do que animadora. Levantei da cadeira e... Opa! 
- Olha, Márcio, a minha primeira contração com dor!
Márcio de olhos arregalados:
- Tá, e o que isso quer dizer?
- Que tá chegando perto da Lina nascer.
Olhos mais arregalados:
- Mas já???
- Não, essas dores podem durar mais umas duas semanas.
Olhei o relógio. Era 0h05. Fui tomar uma ducha antes de dormir, porque apesar de ser 12 de abril, fazia calor. Entrei no box e comecei a rir.
- Márcio, olha isto aqui.
Olhos voltando a arregalar:
- O quê? Tu fez xixi?
- Acho que estourou a bolsa.
Liguei para a médica, que mandou ir para o Moinhos de Vento, entrei no banho, comecei a sentir mais contrações, saí do banho sentindo contrações, botei o primeiro vestido que apareceu na frente (o mesmo que tinha usado no chá de fralda), calcei o par de havaianas que ganhei do amigo secreto de natal da firma (que não combinava com o vestido), penteei os cabelos molhados, sentindo contrações, apressei o Márcio, dei tchau pro Bubi e a Farofa (perplexos) e entrei no carro. 
- Não vamos levar as malas?
- Não precisa. Parto demora. Amanhã a mãe leva para a gente.
(Não quis explicar que tinha tirado tudo de dentro das malas para arrumar melhor naquele fim de semana.)
Fizemos o trajeto Zona Sul > Moinhos num quase silêncio nervoso, emocionado, tenso, alegre. Com a falta de movimento, levamos 18 minutos, com as contrações ficando cada vez mais próximas e cada vez mais intensas. (Esse negócio não tinha de ser mais lento, não?) Passamos pela rua do Mário e da Dilza e eu me dou conta:
- Acho que não vamos comer paella amanhã...
Era 1h10 quando chegamos à recepção da maternidade. Às 3h26, a Lina nasceu. O Márcio esqueceu que não queria ver parto nem de trás de uma cortina e acompanhou do meu lado todo o parto normal. Com a nossa menina no meu colo, os dois gritamos:
- Ela é linda! É linda de verdade! 
(Sempre dizíamos que a acharíamos linda mesmo que fosse feiinha, mas ela tinha nascido linda. Linda de verdade.) 
Na sala de recuperação, com a Lina adormecida no colo do Márcio envolta em cueiros do hospital (a mala não tinha ido, lembra?), atendemos à ligação da pobre da minha mãe e da Carolina que tinham se abalado do Moinhos ao Jardim Isabel para pegar as malas (que precisavam ser refeitas, lembra?). 
***
Há exatos seis meses, nossa vida mudou completamente. A Lina estreou na nossa vida, e a cada instante fica mais linda, mais querida, mais importante. A cada instante, comemoramos mais um instante de vida e de alegria e de aprendizado. Se datas redondas - ou quase, como esta - servem para fazermos balanços, uso a de hoje para reafirmar a certeza de que toda a nossa espera (foram oito anos) valeu a pena. Eu poderia escrever um texto deste tamanho sobre cada dia, mas os sorrisos que ela dá e os que provoca na gente são muito mais eloquentes.
Felizes seis meses de vida, minha Lina. Obrigada por estar aqui. A mamãe te ama mais do que absolutamente tudo nesta vida. 
Porto Alegre, 12 de outubro de 2012. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Caindo, levantando e seguindo em frente... :-)

Vejo muita gente reclamando que 2013 não foi um ano bom, torcendo para que acabe logo. Como todos os outros anos, 2013 teve coisas boas e ruins, tristezas e alegrias, surgimento e fortalecimento de amizades e desencantos, cansaço e ânimo.

Para nós, 2013 foi o ano em que a maior alegria da nossa existência deu os primeiros passos, aprendeu as primeiras palavras e demonstrou incansavelmente que não importa quantos tombos levemos, podemos e devemos sempre levantar e seguir em frente. Sempre sorrindo (mesmo depois de chorar um pouco, pedindo colo).

Um beijo enorme para os amigos e amigos de amigos e até para quem não é amigo de ninguém, que todo mundo merece um pouco de carinho 
 



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

10 anos esta noite: uma década de espatifaria

Lembrei por acaso neste fim de semana: em dezembro faz dez anos que tenho o blog. Fui conferir, e fez dez anos há pouco mais de meia hora. O primeiro post, do primeiro blog, foi este aqui. Eu conto a historinha resumida ali na direita, abaixo da caixinha do Facebook.

Aliás, nos primeiros anos, eu postava horrores. Durante muito tempo, o blog foi meu Twitter e meu Facebook. Não por acaso, o ritmo de posts caiu vertiginosamente com o surgimento dos dois.

A seguir, algumas curiosidades que talvez não interessem nem aos meus queridos (e infiéis) 17 leitores, mas, azar, o blog é meu, e eu falo aqui o que bem entender:
  • O motivo pelo qual o terceiro post (que não tem simpatia nenhuma) faz tanto sucesso são as buscas do Google! As cinco pesquisas que mais trazem as pessoas para cá, desde que voltei para este endereço, no ano passado, são: 
    • cassia
    • amiga de infância
    • simpatias para jenro (sic) gostar de sogra
    • origem do nome montevideo
    • bufê
Em dois meses faço 40 anos. Parece estranho uma quarentona fazendo um blog com ar aborrescente reclamão, né? Enfim. Tenho pena de acabar com ele. Seria como acabar com parte de mim.

Entonces, sigamos espatifando – ainda que eventualmente –, por muitas e muitas décadas :-)