quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Meu pai e uma fita K7
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O jovem avô que vou ter de ensinar ao meu bebê
Infelizmente, vai ser assim também que o/a meu/minha filho/a vai conhecer o homem mais importante da minha vida até eu conhecer o Márcio. Seu Jurandir Antonio Zanon ficou pouco tempo conosco (48 anos no total, 22 como meu pai), mas deixou um legado que me acompanha até hoje.
Meu pai foi um homem interessado pelo mundo, por história, pelo comportamento humano. Foi o meu Google particular durante muito tempo. Foi quem me ensinou a ler, a gostar de cinema, a questionar o porquê de tudo, a buscar meu espaço sem invadir o espaço dos outros.
Sempre bem humorado, com um senso de humor ao mesmo tempo sofisticado e palhaço, deixou como maiores ensinamentos que não é preciso ser sisudo para ser sério e que a sinceridade e a honestidade são o melhor caminho para conseguirmos o que queremos. Mesmo que esse caminho por vezes acabe se mostrando mais longo.
Hoje, no dia em que ele completaria 64 anos - e que eu completo 19 semanas de gravidez -, minha tia Rita , a irmã caçula que ele via como uma espécie de filha mais velha, fez uma homenagem a ele no Facebook, postando uma música de que ele gostava muito. E cuja letra, percebi hoje, diz muito sobre o homem que ele foi.
Saudade, pai. Que pena que não estejas aqui neste momento tão feliz das nossas vidas.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Como faz para não lembrar?
Eu não preciso de datas para pensar nos dois, porque ambos sempre estiveram e sempre estarão presentes na minha vida. Então, será que dava para pelo menos eu deixar de lembrar que três dias depois do meu aniversário de 22 anos ele nos deixou, e ela se despediu dois dias depois de eu completar 36?
Bendita saudade, que até para de doer, mas não diminui nunca.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
De como (res)surge a saudade
Fim de ano é assim, né? Anteontem foi dia de sentir saudade do pai, na o dia em que ele faria 63 anos. Consequentemente, deu saudade da vó que nos deixou no começo do ano e de todos os que não estão mais aqui se não na nossa lembrança.
Hoje, eu reli este post de mais de três anos atrás, sobre a morte do Floquinho e chorei de novo.
Quem mandou limpar as gavetas?
sexta-feira, 26 de março de 2010
Música bonita
Tem músicas que a gente não sabe por que gosta, mas gosta. E tem aquelas de que a gente gosta tanto que chega a dar uma dozinha no peito quando escuta.
Fire and Rain, do James Taylor, é uma dessas. Desde quando eu era pequena, ela me causa a mesma sensação de "alegre melancolia". E sempre me fez pensar no meu pai. Agora, mais ainda.
Hoje me deu vontade de escutá-la. E de compartilhar com vocês.
Bom fim de semana! :-)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A gente sempre tem que dizer que está tudo bem
"A gente sempre tem que dizer que está tudo bem." Quando respondia assim à pergunta "Tudo bem, vó?", era certo que não estava bem. Mas, ao responder assim, ela nos ensinava basicamente que não vale a pena se debater. Independentemente do que acontece na vida da gente, é preciso tocar o barco - de preferência, sem reclamar.
E foi (quase) sem reclamar que ela criou os seis filhos. Com mão de ferro, é verdade. Foi principalmente a obstinação dela que trouxe a família toda de Sobradinho a Porto Alegre para garantir que a prole tivesse o que ela lamentava não ter: estudo. Deu certo. Os guris e gurias da dona Heloisa - que os parentes, amigos e conhecidos das antigas, sabe Deus por quê, chamavam de Lóisa - todos deram belos rumos à vida.
Quando eu era pequena e vinha passar férias em Porto Alegre, tinha certeza absoluta de que a minha vó era uma pessoa muito importante. Ficava impressionada com o fato de que, aonde quer que me levasse, todos a conheciam pelo nome, todos a tratavam com deferência e corriam para atendê-la. Também achava impressionante todo conhecimento que ela tinha sobre tanta coisa, mesmo tendo frequentado o colégio por muito pouco tempo.
Ela lia muito. Lia tudo. Adorava contar histórias. Histórias de verdade, sobre o que tinha lido. Sobre eleições no Brasil, sobre a segunda guerra, sobre literatura brasileira, sobre uma variedade de assuntos que assombrava. Para mim, minha avó - assim como meu pai - era uma espécie de Google em carne e osso. O que ela não sabia, ia pesquisar.
Apesar de não ser uma avó de contar contos de fadas, era uma avó que qualquer neto pediria aos céus. Servia torrada (misto-quente para os estrangeiros) com guaraná para o café da manhã - apesar dos protestos dos pais, dava abrigo contra surras e castigos embaixo da saia ("Na minha casa, não!"), brincava de cavalinho, levava ao mercado público para tomar salada de fruta na Banca 40, benzia os netos e era meio feiticeira. Todos tivemos alguma graça concedida por seus pedidos cheios de fé ao "velho Vitorino", pai dela.
Essa pessoa incrível perdeu bastante do brilho a partir de 1996. Não por uma doença física, mas uma doença do coração. A perda de um dos filhos - meu pai - foi um golpe duro demais. Até mesmo para aquela verdadeira força da natureza que adorava coincidências e que foi embora deixando uma grande coincidência para ser contada. Na segunda-feira, dia 22, aos 88 anos, ela foi se encontrar com meu pai. No dia seguinte, fez 14 anos que ele morreu. O que a levou foram complicações decorrentes de uma esquemia que teve em 7 de dezembro - dia do aniversário dele.
Ao contrário do que houve com o meu velho, que se foi aos 48 anos, a morte dela seguiu a ordem natural das coisas. Mesmo assim, a dona Lóisa deixa uma saudade imensa. Mas quem sou eu para ignorar o que ela sempre fez questão de ensinar: a vida segue. Afinal, a gente sempre tem que dizer que está tudo bem.