O dia se espatifa

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Quando gênios se encontram

Meu filme preferido em toda a vida: Era uma vez na América, do Sergio Leone. Com Robert de Niro. Trilha sonora do mestre Ennio Morricone. Hoje, numa sessão nostalgia por e-mail, minha querida Tia Rita me fez lembrar deste filme lindo. E desta música igualmente belíssima. Um encontro de gênios que marcou a minha adolescência e que vi mais vezes até do que O Poderoso Chefão.



[youtube http://www.youtube.com/watch?v=28iIvH4ezU4&fs=1&hl=pt_BR]

domingo, 26 de setembro de 2010

O que se faz em 15 anos?

Amanhã faz 15 anos que o Márcio e eu saímos juntos pela primeira vez. Pouco depois das 19h de 27 de setembro de 1995, aceitei fazer um lanche com ele no McDonald's da Silva Só com a Ipiranga depois de um dia de trabalho na TV para continuar a conversa sobre música e cinema que começamos na redação. De lá para cá, é bem provável que não tenhamos passado mais do que 60 dias sem nos vermos pessoalmente - incluindo as poucas viagens que fizemos separados. É absolutamente certo que não ficamos mais do que cinco dias sem ao menos nos falarmos por telefone ou trocarmos um e-mail. Confesso que, agora, ao fazer esse levantamento mentalmente, fiquei um pouco assustada até.



Nesta semana que começa amanhã, cada dia será a celebração dos 15 anos de uma primeira vez. A primeira saída juntos. O primeiro jogo do Inter. O primeiro beijo. O primeiro desentendimento. Eu tinha 21 anos, ele, 28. Eu era estudante de jornalismo, e meu pai ainda era vivo. Ele trabalhava na RBS TV depois de uma temporada no Jornal do Brasil e uma passagem anterior pela Zero Hora - o que o transformava num ser absolutamente experiente aos meus olhos. Eu não sabia o que esperar da minha vida profissional, e ele esperava que a dele desse uma guinada. Eu demorei um pouco para gostar dele, mas depois da terceira hora conversando, vi que poderia ficar com ele para sempre. Ele gostou de mim de cara, mas só se convenceu de que queria me namorar três meses depois.



De lá pra cá, foram centenas de passeios pelas ruas de Porto Alegre, Gramado, Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Montevidéu, Lisboa, Porto, Recife, Vigo, Paris. Foram incontáveis restaurantes, bares, lanchonetes, cafés, delicatessens, supermercados e quaisquer lugares com boa comida e boa bebida. Os bifes mal cortados e esturricados e as massas além do ponto com manteiga demais do começo deram lugar a pratos triviais - ouso dizer - impecáveis e churrascos muito bem feitos. Somando, imagino que tenhamos ganhado e perdido e ganhado e perdido 40 quilos.



Pilhas de fotos impressas e gigabytes de imagens digitais registram mais de 30 festas de aniversário, vários almoços e jantares, festas juninas e quetais reunindo amigos queridos que vieram e foram, foram e voltaram, vieram e ficaram, cada um deles deixando uma marca no nosso caminho. Amigos que tiveram filhos, que curtimos desde bebês e que agora entram na adolescência. Perdemos pessoas queridas juntos. Passamos por belos sufocos e vivemos lindas voltas por cima. Tivemos dois cães especiais, um deles ainda conosco. Fizemos grandes amigos. Formamos famílias paralelas às nossas famílias de sangue.



Tivemos juntos quase uma dezena de empregos. Escrevemos para diferentes lugares e nos arriscamos em atividades diferentes da original. Compramos duas casas. A segunda, vendendo a primeira. Fizemos cinco mudanças. Fomos para São Paulo e voltamos. Agora, plantamos uma horta e uma bergamoteira. Ainda não escrevemos um livro, mas fizemos uma matéria a quatro mãos em 2009 e editamos um vídeo sobre o Tom Jobim nos idos de 1996. Planejamos o filho que ainda não veio há quatro anos. Confiamos que virá. O quarto dele, pelo menos, já está reservado.



Juntos, vimos o Internacional ser campeão de tudo, depois de quase cair para a segunda divisão. Assistimos a um sem número de filmes - muitos deles incontáveis vezes, para meu desespero. Brigamos muito pelas músicas do Emílio Santiago que ele insiste em ouvir perto de mim, mas também aproveitamos os 90% de gosto em comum para cantar, cantarolar, dançar. Lemos centenas de livros, revistas, jornais. Acumulamos boa parte deles em estantes que quadruplicaram em quantidade e tamanho. Quando começamos, ocupávamos cada qual um quarto nas casas dos pais. Estamos bem mais espalhados.



Datas redondas fazem a gente pensar. Repensar. Aos 15 anos, meninas são "apresentadas" à sociedade, num ritual cafona chamado "debu". Por essa lógica, o Márcio e eu estamos debutando na vida juntos. Então, agora eu nos reapresento formalmente à sociedade. Cássia e Márcio, juntos há 15 anos e com um financiamento imobiliário de 30 pela frente, muito prazer.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Superego, chulé e felicidade - das buscas que me divertem

Não tenho sobre o que escrever? Meus problemas sempre acabam quando dou uma espiada nas buscas que têm trazido gente até este humilde. E os seres consultantes do grande oráculo gúgol não cessam de me espantar. Vamos então ao que rolou por aqui nos últimos 30 dias.
frases de implicancia - se tá querendo colar é porque a implicância não é genuína. implicâncias são belas geradoras de frases per se.
felicidade é - se descobrir, me conta?
fromspring.me - é FORMspring, criatura! e eu acho um saquinho, to be quite honest.
pontos que eu faco em cruz - como eu vou saber, se é tu quem faz?
www.fromspring.me - enquanto não mudar o que tá errado, vai continuar caindo aqui!
cassia zanon - presente!
o dia se espatifa - achou!
dona de casa - só nas horas vagas, obrigada.
sapatilha chulé - não tenho. o chulé, i mean. sapatilhas eu tenho. #adoro
cassia - yo!
frases sobre lixo - oi? era um tema de escola? que medo desses alunos de hoje, meu deus.
como tirar chule de sapatilha - no meu tempo tinha um talco chamado tênis pé baruel. não sei se funciona, mas, sei lá, tenta.
alain de botton - adoro. escrevi sobre ele algumas vezes por aqui, mas tô com preguiça de dar link neste momento.
etiqueta ao longo dos tempos - a teoria melhorou bastante, já a prática... dose...
frase de implicancia - no singular dá igual que no plural, viu?
chulé sapatilha - tá feia a coisa, hein, amiga?
carl hiaasen caça turistas - ótimo livro! achou já? não empresto, mas posso vender. caro :-p
cronica zaffari ricardo freire - achou? é muito bacana, mas não sei se ainda está na web :-(
significado de implicancia - (im.pli.cân.ci:a) sf. 1. Manifestação ou sensação de má vontade, de antipatia; BIRRA; CISMA; IMPLICAÇÃO: Tenho implicância com bajuladores. [ antôn.: Antôn.: empatia, simpatia. ] 2. Impertinência, provocação: Não cedeu o lugar por pura implicância. [F.: implicar + -ância] Tá lá no aulete.uol.com.br, o melhor dicionário de português de acesso livre online. #ficaadica
frases sobre chulé - sério??? pra quê, pelamor?
www.clicrbs.com.brcom.br - não, assim não vai rolar. tenta de novo: www.clicrbs.com.br.
fromspring - tu tá brincando comigo, né?
cameron diaz chulé - amiga, se ela tem chulé ou não não interessa! vai cuidar da tua sapatilha, que é melhor...
www.semprefeliz,com.br - só se o ser for idiota, né? ou estiver sempre chapado... tira a vírgula e vê se funciona.
como tirar chulé de sapatilhas - a esta altura tu já descobriu? já pensou em botar fora?
paco sanchez - querido! baita professor! me acho só por ter tido aulas com ele...
cronica de ferias humoristica - problema com plurais, we have?
dialogos comidas - pode desenvolver melhor? diálogos sobre comida? diálogos com comida? diálogos depois da comida?
frase de sapatilha - hahahaha
borboletas no estomago - azar, eu curto
denise fraga penelope cruz - ainda vou usar essas buscas como prova científica de que, sim, as duas foram separadas no nascimento. só que uma tem um cabeleireiro melhor...
sapatilha da chule - dá! tu ainda não percebeu? compra sandália! ou usa com meia de algodão, quem sabe?
porto alegre melhor lugar para se ficar - eu curto a minha casa.
querido diário de agosto dia 12 - oi?
o dia 1 - é o primeiro dia do mês
crônica de cada escolha uma renúncia - verdade. não fiz uma crônica sobre isso, mas concordo.
e obrigatorio ter razão social - obrigatório não é, mas ajuda, né?
autores de filmes - quais? meus preferidos são italianos, judeus ou descendentes.
melissa x chulé - que fixação!
chulé de sapatilha - vou transformar o blog em um blog temático: sapatilha se espatifa.
reciclar é preciso livro - depende do livro. tem coisa que eu não dou, não empresto e não troco, sorry.
o'que quer dizer as tela vista baby - hahahahahaha! eu me divirto...
o que é falta de etiqueta - é grosseria, falta de noção... entendeu?
sapatilhas sao chule - não, não é bem assim. uma coisa é uma coisa, outra coisa... bom, outra coisa fede.
vizinhos indecentes - ui! me conta!
blog super ego - duas coisas meio contraditórias. se meu superego funcionasse direito, provavelmente eu não teria este blog. mas, enfim.

domingo, 19 de setembro de 2010

A dieta da leveza

É tão fácil estar feliz, pensei várias vezes com o botão da minha calça jeans, ontem, durante o dia, enquanto amigos queridos conversavam ao redor da mesa sobre nada importante, enquanto ríamos das piadas de sempre e aproveitávamos a companhia uns dos outros com o sol brilhando pela janela. Durante todo este fim de semana, pedi mentalmente que essa a que estou sentindo por esses dias não deixe de me acompanhar por um instante sequer. Mas, infelizmente, não tem como ser exatamente assim.



A morte do pai de um amigo, mal-entendidos com pessoas importantes, tristezas alheias, frustrações que volta e meia nos assombram funcionam como uma corrente de minichoques de realidade a nos despertar da ideia romântica de que as coisas podem ser mais fáceis. Só que, neste momento, peço licença aos queridos leitores e ao pessimismo que insiste em me incomodar para decidir: declaro instaurada a "dieta da leveza". Tudo o que pesar demais no coração será tratado com a atenção e o cuidado devidos, nem mais, nem menos.



E um bom começo de semana para vocês também! ;-)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O tempo passa, o tempo voa...

... e eu, antes de começar a escrever, me pergunto que fim levou o barbudo da propaganda do Bamerindus.



Quase dois meses sem passar por aqui. E não que eu não tenha nada a dizer, pelo contrário. De 26 de julho pra cá, assinamos um contrato de financiamento imobiliário de 30 anos, usei os limites dos meus cartões de crédito parcelando material de construção,  finalizamos uma obra, fiz a 14ª mudança da minha vida e depois de muitas caixas abertas, muitas espanações, muitas doações de objetos e roupas que podem servir melhor a outras pessoas do que a mim, estou aqui sentada no meu novo escritório, de frente para o Márcio, pensando em quantas coisas ainda queremos fazer.



Em julho, eu havia retomado a publicação de posts. Como de costume, não havia qualquer intenção de gerar relevância ou reflexões importantes, apenas uma maneira de me conectar com meus poucos porém qualificadíssimos  leitores e de ter um registro divertido para, daqui a um tempo, lembrar do que me vinha ocorrendo. Porque, sim, eu ainda acredito no "blog" como um diário, um registro, uma marca. Deixei de registrar, por exemplo, várias coisas bacanas que rolaram e estão rolando na firma e perdi o timing.



Porque este blog é um pouco o meu jeito de cumprir parte do que determina a sabedoria popular sobre realização pessoal: plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho. Enquanto não escrevo meu livro, fico deixando minhas mal digitadas linhas por aqui. A árvore, plantei há três semanas no jardim da casa nova - uma bergamoteira, a Maricota. O filho? Espero do fundo do coração que venha quando estiver pronto para vir.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Jogo de se espatifar, sapatilha com chulé e mais buscas que trouxeramgente até aqui

Mais de dois meses se passaram, e chega o momento de fazer um novo levantamento das buscas que trouxeram internautas (incautos ou não) até este humilde. Vamos às respostas da vez.

samantha gailey depoimento completo em português - não tem aqui. mas já que puxaram o assunto, eu gostei de o polanski ter sido libertado. #prontofalei
como fico sabendo se uma pessoa É cadastrada - onde? independentemente... não sei.
jornalista rbs colorada gaucha - presente! embora eu ache que tenha muitas outras qualidades e defeitos que me identifiquem além desses.
frases sobre educação - oi? tentando colar para um trabalho de pedagogia ou é impressão minha?
sapatilha de plastico popular - bá, não recomendo. deve dar muito chulé.
frases de implicancia a homem - tenho muitas. mas procuro reservá-las aos dias de TPM.
arquivo by cobaia - oi?
dave eggers histórias curtíssimas - tem isso é? não li. dele, recomendo fortemente Uma comovente história de espantoso talento, sobre o qual ainda escreverei um dia.
praticando o desapego - sempre. infelizmente, nem sempre com sucesso.
como fazer uma melissa dar de si? - pedindo com jeitinho, de repente?
como tirar chulé sapatilha - jogando ela no lixo e comprando uma nova?
carnaval iscala rio - não intendi a pergunta
jogo de se espatifar - não conheço. mas não me convida pra jogar, por favor... #medo
Felicidade é quando o último canapé da bandeja sobra para você. - Bem disse o Luis Fernando Verissimo na crônica pra qual eu dei link aqui
denise fraga penelope cruz - sim, sim, também acho iguais. cansei de dizer.
cronicas sempre feliz com voçe - com voçê, eu não çei...
home lenoxx ht 718 reclamação - pra mim não reclamaram, não
+denise+fraga+penelope+cruz - idênticas!
eu não quero mais blog - então termina com ele, ora!
frases implicantes - tenho muitas. confere na categoria "implicâncias implicantes"
como ganham os vendedores de emprestimos - enganando os coitados que tiram os empréstimos.
menino do pijama listrado corby - lindo livro! não vi o filme.
música bonita - uma só?
não quero ter razão quero ser feliz - bem o disse o maior poeta brasileiro vivo: ferreira gullar
idéias de tweets - vai inventar os teus!
como fazer buscas no google - acesse www.google.com e digite a busca no campo de busca :-)
arquitetura da felicidade 500 dias com ela - sim, escrevi sobre os dois aqui
aste la vista baby significado - hahahaha. de novo?
calçados de plastico dão chulé??? - que que tu acha? (melissa não dá, incrivelmente...)
terapia x criatividade - parece que a terapia ganhou a partida. triste, mas é a realidade.

Da (falta de) etiqueta nos novos tempos

Atire a primeira pedra o vendedor que, num dia mal humorado, não tenha pensado que seu trabalho seria muito mais fácil se não fossem os compradores, ou o psiquiatra que nunca tenha desejado - ainda que por um instante - o extermínio de todos os pacientes da face da terra. E não vou ser hipócrita de dizer que jornalista também não pensa de vez em quando que a vida seria mais simples se não fosse o leitor/telespectador/ouvinte/internauta e que professor não sonha um dia ter uma sala de aula sem alunos, só para variar.



Essa injustiça absoluta contra a figura genérica do cliente  - de qualquer tipo que seja - se deve, evidentemente, aos maus clientes. Aos malas, mal educados, prepotentes, obtusos, arrogantes e, em maior número e grau, os sem noção. Ninguém mais discute que ouvir o que o cliente tem a dizer e agir em relação a isso precisa ser o objetivo primeiro de qualquer profissional em qualquer área. Mas o trabalho de todos seria muito mais tranquilo se os clientes também atentassem para regras básicas de civilidade.



Toda essa introdução é porque ontem, em dado momento do show do Jorge Drexler, eu pensei que ele talvez tenha esperado - por um milésimo de segundo que fosse - que parte da plateia que lotava o teatro do Bourbon Country evaporasse. O músico uruguaio é um fofo que desde sempre estimula o diálogo com o público ao longo de suas apresentações. Só que essa demonstração de sintonia com o "mundo 2.0" acaba o transformando em alguns instantes numa vítima daquelas criaturas que (1) parecem nunca ter ido a um show em teatro na vida, (2) vão a um espetáculo com a intenção de aparecer mais que o artista e/ou (3) nunca levaram uma palmada pedagógica quando necessário.



Como ontem não dava para identificar as criaturas e muito menos dar essas dicas a elas pessoalmente, preparei uma singela listinha de coisas que podem parecer rabugice, mas, na boa, são apenas regras básicas de convivência humana aplicadas a um espetáculo realizado em teatro com lugares marcados:




  • Vocês que ficaram pedindo músicas: o show é num teatro, não num bar, certo? Não peça músicas. Ao menos não insistentemente. Os artistas planejaram e ensaiaram o espetáculo para funcionar de uma certa forma. É chato!

  • Vocês que ficaram gritando "lindo" ao final de cada música: existe um limite para quantos gritos de "lindo!" e "gostoso!" e outras demonstrações de devoção feminina. Quando os berros atrapalham que se ouça as músicas, é porque o limite foi ultrapassado. Amigas, quem estava ali para ser visto e ouvido era o artista, não vocês, valeu?

  • Vocês que ficaram fazendo piadas "internas" com o artista: não tem graça. Ou só eu notei o constrangimento do coitado tentando "mudar de assunto"?

  • Vocês que ficaram filmando o show: eu me pergunto, pra quê? Pra que pagar o ingresso? Só pra postar um vídeo escuro com som péssimo no YouTube e mostrar pros amigos como vão a eventos e são descolados? O show estava bem bacana, mas acho que vocês não chegaram a ver ainda, né?

  • Vocês que ficaram tirando fotos com flash: devem ter ficado bacanas as imagens chapadas pelo flash das cabeças dos coitados da frente, hein? Além do mais, atrapalha.



Toda vez que vou a shows em teatros, vejo essas coisas acontecerem. E toda vez eu me incomodo com isso. Um amigo disse ontem que não tem mais volta, que são os novos tempos, e meio que me olhou como se eu fosse uma chata careta que desrespeita o direito dos outros de me desrespeitarem. Mas, puxa vida, será que os novos tempos estão mesmo fadados a serem um tempo em que desrespeitar o espaço dos outros é algo aceitável. Ou pior: um tempo em que indignar-se com essa deseducação é visto como intolerância e falta de capacidade de adaptação ao novo? Ainda mais considerando que, pelo menos por ora, essas criaturas felizmente são minoria.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Reciclar é preciso? Ou de quando tweets iam para o blog

Num momento insone, me dou conta de que este blog, ou seu primeiro antepassado, vá lá, tem mais de seis anos de existência. Funçando nos arquivos de cinco anos atrás, encontros dois pré-tweets que achei bacaninhas.



Máxima gramatical
Crase é como vírgula: melhor faltar do que sobrar. 
(Numa tentativa de fazer os colegas compartilharem da minha compreensão empírica da língua portuguesa.)



Máxima musical
Beatles é como Chico: a gente sabe que é bom, mas sempre que ouve se dá conta de que, POR*A, É BOM PRA CA*ALHO!

tom cruise + cameron diaz = eu ri

O roteiro é fraco e cheio de furos. As interpretações, canastras. Os diálogos, pra lá de clichês. E o Tom Cruise, bem, o Tom Cruise é o Tom Cruise - o que quer que isso signifique para o querido leitor. Mas, vai por mim, esquece a cientologia e toda a maluquice que a criatura faz com a pobre Suri (a começar pelo nome, por Deus) e te atira no Knight and Day - ou Encontro Explosivo, como queiram. Eu ri.



Acabo de voltar do cinema, onde caí de pára-quedas, sem saber xongas sobre o filme (não leio resenhas antes de ver ou ler blablabá, vocês conhecem a doida) escolhendo pelo horário e o espírito de "preciso me desligar do mundo".











O casal Tom Cruise e Cameron Diaz parece ter se divertido fazendo o filme, e a gente se diverte vendo aquele monte de cena "se é possível" emendada uma na outra. A Cameron? Eu ADORO que ela seja linda mesmo com acne e pareça ter os 37 anos que tem. E, cá entre nós, meninas, o Tom Cruise da tela em certos momentos lembra o bonitinho divertidíssimo de Negócio Arriscado. Parece até saber rir de si mesmo.









quinta-feira, 1 de julho de 2010

Do blog, do abandono do blog e uma rápida autoanálise

Eu poderia botar a culpa no Twitter. Ou na falta de tempo. Ou na falta de coisas interessantes a dizer. Mas a verdade é que nenhum dos três motivos - ou quaisquer outros que eu possa inventar - bastam para explicar por que o número de posts neste humilde tenha caído vertiginosamente desde o surgimento da sua primeira versão, em dezembro de 2003.



A verdade é que meu superego anda mais saidinho do que de costume. E eu me pego pensando duas ou mais vezes antes de abrir a caixa de post. Antes não me incomodava tanto ocupar pixels e banda com minhas banalidades, mas, ultimamente, incomoda. Será o fato de eu já estar mais para os 40 do que para os 30?



Esta semana participei do Gauchão de Literatura, "apitando" uma disputa entre dois livros de contos de escritores gaúchos. Nos comentários, críticas ao tamanho (pequeno) e à profundidade (rasa) da minha análise. Cheguei a cogitar de me explicar, de argumentar que escrevi o que me foi pedido e que não me arvoro especialista em literatura, apesar de ser leitora compulsiva, mas desisti. Qual o sentido de tentar convencer alguém de algo que ele já decidiu que não quer ser convencido? Daí que resolvi tratar do assunto aqui, nos meus domínios, com a profundidade que me dá na telha (rasa).



"Se beber, não tuíte", diz o já popular ditado. E eu acrescento: "se estiver com sono, não poste". Mas, quer saber? Se eu não estivesse com sono e com vontade de abrir o coração neste instante em que digito, este pobre blog seguiria abandonado. Apelemos então a mais uma máxima, para que eu volte, enfim, a postar, independentemente do que os outros vão pensar: "se não gostou, não leia".