O dia se espatifa: Da superação dos medos e do medo dos micos

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Da superação dos medos e do medo dos micos

Então eu tomei a minha primeira anestesia geral. Foi na terça-feira, num exame/cirurgia que eu tinha marcado no fim de outubro e que desde então vinha me tirando o sono e a atenção devida das coisas importantes. Planos para depois do dia 7/11/2006? Podia ser, mas eu não sabia se estaria por aqui ainda...

Paraíso/inferno dos hipocondríacos e dos neuróticos (como eu), a Internet informava através de vários trabalhos científicos sérios que o risco da intervenção era de 3 para 1000. Três para 1000. Não cheguei a pesquisar, mas imagino que o risco de ser atropelada ao sair de casa seja maior. Nada que alivie as ansiedades de uma ansiosa crônica como eu. (Os sites que "vendem" a técnica do exame sequer falavam em riscos, mas desses eu queria distância.)

Como dá para notar pelo post, eu sobrevivi à anestesia, e o resultado do exame/cirurgia foi o desejado. Tudo muito simples, como meu querido e paciente médico cansou de explicar que seria. Mas eu TINHA PÂNICO da anestesia. Tanto pânico que cheguei a pensar em fazer um post despedida, para ser publicado postumamente. Exagerada? Imagina.

O pior, no fim, foram os micos que se sucederam depois do despertar. Lembro vagamente de alguns, e tenho certo medo de perguntar para o médico se a coisa foi pior do que me lembro.

– Tu tá bem? – perguntou o médico.

– Tô maravilhosa – respondi, hiperbolicamente, pensando "estou viva! estou viva!".

– Tá com alguma dor?

– Não, tô ótima! – Mentira, estava com dor, sim, mas estava viva, estava viva!

Mexi os braços. Mexi as pernas. "Beleza, não afetou os movimentos." De repente, paúra:

– Eu não consigo sorrir! Eu não estou conseguindo sorrir! – Aqui vem o momento pavor de verdade. Será que eu disse isso só duas vezes como me lembro ou será que saí gritando a caminho da sala de recuperação fazendo caretas e tentando desesperadamente sorrir? Tenho a vaga impressão de que os médicos e as enfermeiras à minha volta estavam às gargalhadas. Acho que não quero saber.

Já na sala de recuperação, a enfermeira que ficou me monitorando me pergunta:

– Tu sabe o teu nome completo?

– Cássia Zanon – respondi, prontamente. Acho que para garantir, emendei, sem que ela me perguntasse nada: – Nasci no dia vinte de fevereiro de mil novecentos e setenta e quatro.

Ainda não sei se não segui informando endereço, CPF, RG, filiação etc. Mas que fiquei louca de faceira que não tinha ficado com amnésia, ah, fiquei.

De todos os motivos que me levam a ser grata por ter saído "viva" da sala de cirurgia, o maior foi a última frase que eu lembro de ter dito antes de capotar e que não poderia ser mais deprimente como últimas palavras de qualquer cristão:

– Doutor, acho que o senhor botou alguma coisa na minha bebida.

Não, né?

16 comentários:

  1. hahahahah Muito bom!
    Tu ainda tem muita coisa pra escrever e fazer, maluquete!
    Luv,
    Carol - hipocondríaca assumida também.

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  2. Cassia! Que bom que deu tudo certo! UUUFAAAA! Teria tido as mesmas preocupacoes que voce, eu sou mais que hipocondriaca, eu sou uma drama queeen! :-))) Agora se cuida, pra ficar mil por cento logo. beijao,

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  3. hahahahah
    Muito bom, Cássia! e é bom a gente ter esses medos de vez emquando, assim fica mais prevenida e se cuida mais.
    Antes daquela cirurgiazinha que contei que fiz ano passado, fiz tanta pergunta pra anestesista que ela disse: "tu és daqui do hospital?", e eu: "não, só jornalista curiosa mesmo".
    ;o)

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  4. ops, o vez em quando saiu grudadíssimo, argh!

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  5. Bela peça de ficção. Pensa que me engana? É IMPOSSÍVEL uma pessoa adulta ter nascido em mil e novecentos e setenta e quatro.

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  6. Riq, trabalho com gente adulta que nasceu em milnovecentoseOITENTAequatro!

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  7. Hilario Cassia! Que bom que deu tudo certo. Bejitosss da Drica <* *>

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  8. Eu rindo sem parar às três e 20 da manhã. Sim, perdi o sono, como boa neurótica que sou: é que resolvemos voltar de vez e tenho praticamente um mês pra resolver tudo. Sei que vai dar, mas sei que até lá o sono vai ser truncado. Fico feliz que tudo tenha dado certo e que teu humor tenha permanecido inalterado. Beijão!!!

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  9. Cássia, tens certeza? rsrsrsrs

    Muito bom o texto!

    Também já levei a minha geral.
    Virei personagem de um artigo médico. É que, devidamente anestesiado, levantei e sentei na maca no meio da cirurgia.

    Pânico na sala! É que isso pode causar danos à medula.

    Como é caso raro, o anestesiologista escreveu um artigo numa revista especializada(ele me disse que tem que registrar para fins de estudo).

    E, não aconteceu nada com a minha medula!

    Ah, e quando acordei, falei pra mãmãe que estava do meu lado:

    -Bem eu tô, mas não estou aqui, não.

    Ps.: Tem dias que quero uma anestesia geral.

    Ps. do Ps.: Como não bebo e afins, vou de filme mesmo!

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  10. HAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH

    eu acho que queria ser enfermeira na sala de recuperacao soh para ver essas coisas todos os dias.

    HAHAHAHAHAHAHAHHAAHHAHAHA

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  11. hahahaha
    muito bom, cassiola.. Eu, no máximo, tomei aquela anestesia pra fazer o exame da gastrite, e já morri de medo de falar bobagem... Beijo!

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  12. Hahahahahha Paúra? Somos duas! A última anestesia geral que tomei a paúra era tanta que o enfermeiro me trouxe um remedinho mágico (Dormonid) e eu dizia: "Não vai adiantar! Não vai adiantar!" Daí que em 2 segundos emendei: "Marido, vou encostar aqui um pouquinho só que estou com sono." Hahahahaha Capotei, acordei na recuperação. Ufi. Bjs.

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  13. :-)

    Na minha terceira de uma série com o mesmo anestesista, as minhas últimas palavras foram:

    - Oi. Por que que sempre que eu te vejo eu caio no sono?

    Que bom que tudo tá bem, Cassiola.
    Bjs!

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  14. Cássia, te achei no blog da Marcela e não pude deixar de dar meu piteco depois de ler esse teu 'relato'. É que bateu a identificação, fiz uma cirurgia mês passado, primeira vez que levei ponto e tomei anestesia geral. Não lembro o que disse depois que acordei, o cirurgião me mandou falar pra comprovar que não tinha cortado minhas cordas vocais, mas não sei o que eu disse. Só sei que antes de apagar na anestesia falei olhando pras luzes que ficam em cima da gente: "Eu não devia ter assistido tantos episódios do E.R."... Que bom que tudo deu certo. Beijos!

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  15. Esse é o meu problema... um pouco hiponcondríaca que vai verificar qualquer coisa, mas medrosa para essas coisas!!!!!

    Que bom que deu tudo certo! E ainda rendeu boas histórias para contar!

    E aí, conseguiu voltar a sorrir? Acho que tão contente de estar viva tu estava rindo à toa e nem percebeu! hahaha

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  16. eu acho as gerais tridivertidas. brabo mesmo é aquele avental que deixa a bunda da pessoa de fora...

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