O dia se espatifa: ai ai ai
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sábado, 14 de julho de 2007

Vergonha

Não aprovo o governo Lula. Nunca votei nele – em 1989 ainda tinha 15 anos, é bom esclarecer. Não pretendo votar. Espero que em 2010 ele não faça um sucessor. Mas isso não impediu que eu ficasse morrendo de vergonha pelas milhares de pessoas que o vaiaram na linda abertura do Pan.

Acho a vaia uma das manifestações mais indignas do ser humano.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Duas fronteiras

A da chatice
O tom monocórdio do Timothy Garton Ash só me fez pensar o tempo todo no professor mala do Curtindo a Vida Adoidado. Independentemente do conteúdo interessante da palestra e dos trocentos títulos que ele ostenta. Anyone? Anyone?

A do absurdo
Já nas respostas às perguntas do público, o Gabeira, que eu dizia no ano passado que seria meu deputado se eu votasse no Rio, disse, para gáudio da platéia, que uma das soluções para a corrupção seria acabar com o foro privilegiado para parlamentares e inverter o ônus da prova (!!!) para funcionários públicos (será que ele não queria dizer "detentores de cargos públicos"? Whatever).

As dúvidas que me ficam são: ele seguiria defendendo o fim do foro privilegiado no dia em que qualquer um o processasse na justiça comum por algo que ele dissesse ontem, por exemplo, com o único intuito de acabar com a carreira política dele? Os funcionários públicos que o apaludiram seguiriam achando uma boa idéia a inversão do ônus da prova (!!!) caso um colega mau-caráter ou um chefe mesquinho os acusassem injustamente de roubo e eles tivessem que se virar para provar que eram inocentes, e não o contrário?

Nesse momento, contrariei uma das minhas mais fortes convicções de etiqueta e fui embora.

domingo, 10 de junho de 2007

Ai

Quem acompanha o blog sabe o quanto me incomoda de vez em quando o fato de que a maioria absoluta do que escrevo aqui ser raso e irrelevante. Daí eu leio publicado em jornal, desperdiçando sabe-se lá quantas árvores e quanto de tinta tóxica, um texto mais raso e irrelevante do que o meu post mais raso e irrelevante, e isso me deixa muito, muito irritada.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Falou e disse

O artigo abaixo, que está na Folha de S. Paulo de hoje, é uma boa ilustração de por que eu não li um livro sequer do Paulo Coelho, provavelmente não lerei um livro do Paulo Coelho nesta encarnação, mas sou fã do Paulo Coelho.
O que é "contexto desfavorável"?

PAULO COELHO

Tenho uma grande admiração por Roberto Carlos - recentemente, um dos mais importantes programas da BBC Radio me perguntou a lista de cinco discos que eu levaria para uma ilha deserta, e incluí um dos seus. E, apesar dos problemas normais decorrentes de uma relação profissional, tenho um grande respeito pela editora Planeta, que publica minhas obras no Brasil e em vários países de língua espanhola.

Dito isso, é com grande tristeza que leio nos jornais que, na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os advogados do cantor Roberto Carlos e da editora Planeta fizeram um acordo que prevê a interrupção definitiva da produção e comercialização da biografia não-autorizada "Roberto Carlos em Detalhes", do jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo. O editor diz um disparate para salvar a honra, o cantor não diz nada e o autor fica proibido de dar declarações a respeito. E estamos conversados.
Estamos conversados? Não, não estamos, e tenho autoridade para dizer isso. Tenho autoridade porque, desde que publiquei meu primeiro livro, tenho sido sistematicamente atacado.

Creio que qualquer pessoa em seu juízo normal sabe que, a partir do momento em que sua carreira se torna pública, está exposta a ter sua vida esquadrinhada, suas fotos publicadas, seu trabalho louvado ou enxovalhado pelos críticos. Isso faz parte do jogo e vale para escritores, políticos, músicos, esportistas. Nem sempre essas críticas são justas e, muitas vezes, descambam para ataques pessoais.

Recentemente, um jornalista da mais importante revista brasileira disse que "Paulo Coelho não é apenas mais um mau escritor: seu obscurantismo é nocivo. Não se deve perdoá-lo pelo sucesso". Não sei o que estava propondo com essa frase, e não me interessa. Poderia alegar que minha honra está sendo atacada, que me acusa de ser um perigo para meu país, que deseja que eu seja preso. Mas vejo essas diatribes com outra ótica: elas fazem parte do jogo. A única coisa que não faz parte do jogo é a calúnia, e, pelo que me consta, isso não foi tema da ação judicial que levou à proibição de "Roberto Carlos em Detalhes".

Até hoje, desde que publiquei "O Diário de um Mago", há 20 anos, vi milhares de críticas negativas, mas apenas duas ou três calúnias a meu respeito, graças a Deus. Não me dei ao trabalho de contra-atacar porque não achei que valia a pena, embora me reserve esse direito se algo muito sério acontecer. Recentemente, em um jornal espanhol de primeiríssima linha, simplesmente inventaram uma resposta a uma pergunta a que havia me recusado responder. Claro, enviei uma carta ao diretor, e o jornalista teve que arcar com as conseqüências.

Estou pronto para defender minha honra, mas não vou perder um minuto do meu dia telefonando para um advogado e procurando saber o que faço para defender minha vida privada, já que ela não mais me pertence.

Diz o velho ditado: "Quem está no fogo é para se queimar". Eu acrescento: Quem está no fogo é para ajudar a fogueira a brilhar mais ainda. Não adianta o meu editor declarar que fez o acordo "porque o contexto era desfavorável". Ele precisa vir a público explicar qual é esse contexto -ou seja, se estamos falando de calúnia. Neste caso, tem meu apoio integral, pois calúnia é sinônimo de infâmia. Mas, caso contrário, está colaborando para que comece a se criar um sério precedente -a volta da censura.

Roberto Carlos tem muito mais anos na mídia do que eu; já devia ter se acostumado. Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da "invasão de privacidade" já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs.

Também continuarei sendo editado pela Planeta, pois temos contratos assinados. Mas insisto: gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de "contexto desfavorável".

Desfavorável é fazer acordo a portas fechadas, colocando em risco uma liberdade reconquistada com muito sacrifício depois de ter sido seqüestrada por anos a fio pela ditadura militar.

E não entendo por que você, Paulo Cesar Araújo, "se comprometeu a não fazer, em entrevistas, comentários sobre o conteúdo do livro no que diz respeito à vida pessoal do cantor" (Ilustrada, 28/4). Não é apenas o seu livro, cujo destino foi negociado entre quatro paredes, que está em jogo. É o destino de todos os escritores brasileiros neste momento.

Não sei se vou ter as explicações que pedi. Mas não podia ficar calado, porque isso que aconteceu na 20ª Vara Criminal da Barra Funda me diz respeito, já que desrespeita minha profissão de escritor.
O clipping foi cortesia do meu amigo Diego de Godoy, que não tem site nem blog, por isso não ganha link aqui. (Eu não leio a Folha.)

terça-feira, 10 de abril de 2007

Da filosofia

Decidi hoje criar uma nova escola filosófica. É o Simplicismo – uma abordagem simplista da existência humana. Porque Sim e Porque Não são as principais linhas teóricas. No Simplicismo, a resposta está no raso. E não dá para estender muito a explicação, porque senão contraria toda a lógica da coisa. Neste caso, não é possível filosofar em alemão.

*

Ah, sim, by the way, Peter Burke foi bacana, ainda que não muito revelador. A palestra foi feita em português de gringo, língua que eu não domino muito bem, e acabei saindo da UFRGS com dor de cabeça. Ainda que com vontade de fazer mestrado (ou mesmo graduação) em História. Principalmente se for para ter aula com ele e o Robert Darnton.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Dúvida que assalta

Será que agora, como ministro de Lula, o Franklin Martins vai processar de novo o Diogo Mainardi?

No meu toca-discos...

Hoje à tarde, saí para uma reunião e esqueci de desligar o player do last.fm, que me acompanha nos trabalhos que exigem maior concentração. A rádio de hoje: artistas semelhantes a Cat Stevens. Como eu não estava no comando das picapes, sem, portanto, banir coisas chatas e passar adiante o que não me interessa, acabei deixando no rastro ali na esquerda coisas que eu provavelmente não ouviria até o final, como Beck, Pixies e Coldplay. Nada contra, mas não me dizem muita coisa, não.

E o Cat Stevens? Desde que me inscrevi no site, em junho passado, e adotei o atual Yusuf Islam como base para uma das minhas estações, só tocaram duas músicas dele.

terça-feira, 6 de março de 2007

Auto-análise

E quando a pessoa se dá conta de que provavelmente não gostaria de conviver consigo mesma se fosse outra pessoa?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Eu não resisto

José Dirceu é um pecador de carne e osso, símbolo daquele PT paulista delubiano que bota a mão na m… sem tapar o nariz. Tarso Genro é um virtuoso etéreo, símbolo daquele PT gaúcho que faz política de proveta e acha que o país é um tubo de ensaio para suas teses revolucionárias.

Por incrível que pareça, o risco Tarso é maior do que o risco Dirceu.
Não gosto de falar de política aqui. Porque não gosto de discutir política, no sentido de bater boca. Não gosto. Tenho plena convicção de que se trata de um assunto sobre o qual ninguém convence ninguém de nada a não ser que haja uma predisposição clara do outro a ser convencido.

Além disso, anos morando no Rio Grande do Sul – onde não ser filiado ao PT ou eleitor APENAS do PT é interpretado como ser de extrema-direita e favorável aos aspectos mais espúrios do liberalismo – me deixaram com medo (a palavra é medo mesmo, não estou exagerando) de falar sobre o assunto. Só que quando leio textos lúcidos – embora contundentes e potencialmente polêmicos – como este do Guilherme Fiúza, eu me sinto na obrigação de dividi-lo com os meus 17 leitores.